Crítica: Procurando Dory (2016)

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Imagem: Tommo (Divulgação)

Minha primeira recordação de ir ao cinema foi quando eu fui com meus pais e meu irmão assistir Procurando Nemo, lá em 2003. Foi um dia muito mágico: teve McDonalds, bolhas de sabão e um filminho maravilhoso. Até hoje, Procurando Nemo é conhecido como o “filme mais amado” lá de casa. Já perdi as contas de quantas vezes já parei a vida para assistir com a minha família. É difícil achar um filme que seja tão divertido e que tenha ao mesmo tempo uma carga emocional tão absurda e envolvente quanto esse. É o que a Pixar gosta de fazer com a gente, não tem jeito. Amor eterno por esse estúdio.

Eis que 13 anos depois aparece nos cinemas a continuação Procurando Dory, que promete levar ao público a história daquela peixinha simpática que o mundo aprendeu a amar. E porque não? Mesmo que a história com continuações da Pixar seja perigosa em alguns momentos vale uma conferida, já que o projeto é bem mais pessoal (ainda que financeiramente MUITO rentável) que Carros 2, por exemplo. A premissa é bem simples: Dory se reúne à Marlin e Nemo para sair em busca de suas origens e sua família. A ideia aqui é desvendar para o espectador pontas soltas como “onde ela aprendeu Baleiês?” e “como ela foi parar no coral do Marlin?”.

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Imagem: Pipoqueiros (Divulgação)

Já que uma comparação é inevitável, Procurando Dory não alcança o brilhantismo do seu antecessor. Ele não consegue levar às telas a personalidade e o carisma dos personagens icônicos que já são conhecidos pelo público como a tartaruga Crush e o tubarão branco Bruce, além dos protagonistas Marlin, Dory e Nemo, claro. Os personagens novos são eficientes e ajudam a construir o humor da trama, mas não transmitem aquela emoção e empatia que os primeiros conseguiram (com êxito!). Só isso já tira um pouco o brilho do filme, que se distancia em qualidade do que a Pixar está acostumada a entregar, principalmente por conta da estrutura narrativa.

A estrutura é muito parecida, senão idêntica, à do primeiro: o longa inteiro é fatiado em desafios que os personagens têm que sobrepor para chegar à um outro local, além de que Marlim, Dory e Nemo se dividem em certo momento, o que muito lembra os núcleos do filme anterior, o do mar aberto e o do aquário. Infelizmente, essa estrutura mostra cansaço e falta de originalidade por parte dos criadores, o que faz o filme se tornar previsível. Ele dá uma estagnada e perde o ritmo em alguns momentos, impedindo que o público se comova da maneira certa com as reações dos personagens. Dá até um pouco de tédio.

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Imagem: Pipoca de Ontem (Divulgação)

Apesar desse problema de ritmo, Procurando Dory consegue ser eficiente no que é mais esperado dele: divertir. O filme tem muitos bons momentos, com um humor mais físico e escancarado (visando as crianças de hoje) e não tão elegante quanto o de 2003, mas ainda assim divertidíssimo e muito leve. Mas talvez o maior trunfo do longa seja tratar de um assunto tão delicado quanto a deficiência de modo sutil e muito tocante. Antes, o fato da Dory esquecer das coisas era um artifício cômico, agora ele vira o centro dramático da história, que aparece no filme em flashbacks ocasionais e faz o público enxergar a personagem com outros olhos.

Não é preciso nem mencionar as qualidades técnicas, afinal a Pixar não entrega nada menos que a perfeição nesse quesito. As cores e as formas são maravilhosas e nos fazem pensar que ninguém poderia realizar um filme com o fundo do mar como cenário melhor do que ela. Para mim, o filme ganhou na nostalgia. Fazia muito tempo que eu não revisitava esse universo, então a saudade dos personagens era enorme e foi muito legal saber o que tinha acontecido com eles depois dos eventos de 2003. Também fiquei muito feliz por eles terem mantido os dubladores originais, só aumentou essa sensação. Não quero dar spoilers, mas senti falta de um personagem em particular. Só faltou ele. E fique na sala até o final dos créditos, é sensacional!

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Imagem: Adoro Cinema (Divulgação)

Procurando Dory é um filme bastante nostálgico e que o tempo todo faz alusão ao seu antecessor, principalmente para quem cresceu com a animação de 2003. Falta a originalidade e o empenho que foram vistos em continuações como as de Toy Story e no prequel (sequência anterior à algum trabalho) Universidade Monstros, mas o longa diverte e emociona tanto o novo quanto o velho público. Vale o ingresso.

Crystal Ribeiro


Procurando Dory (Finding Dory)
Ano: 2016
Direção: Andrew Stanton, Angus McLane
Roteiro: Victoria Strouse, Andrew Stanton
Elenco: Ellen DeGeneres, Albert Brooks, Hayden Rolence, Ed O’Neil, Diane Keaton, Eugene Levy
Nota: 4 estrelinhas

 

Novos na estante #1 (DVDs)

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Essa semana fiz uma compra significativa de DVDs usados, já que mais uma locadora perto da minha casa está fechando. Nem preciso comentar o quanto esses Feirões de DVDs me deixam maluca. Eles sempre são a oportunidade de encontrar filmes que eu amo, ou que quero conhecer, por preços muito maravilhosos. Aqui vão os que eu escolhi e que agora fazem parte da minha coleção:

  • Confissões de Uma Adolescente em Crise (2004), de Sara Sugarman

Eu sou da geração que assistia aos filmes da Lindsay Lohan no Disney Channel e amava. Confissões, por mais exagerado e bobo que seja, era um dos meus preferidos quando o assunto era fazer a tarde passar mais rápido. E me garantia boas risadas. Também é o único filme da Megan Fox que eu consigo assistir.

No filme, a drama queen Mary (Lindsay) é uma aspirante à atriz que vê sua vida ser arruinada quando a mãe decide se mudar da cintilante Nova York para a sem graça Dellwood, em Nova Jersey, onde nada nunca acontece. O filme tem muitos seguimentos: temos a mudança e adaptação de Mary à sua nova vida; as aventuras para conseguir assistir ao último show da sua banda favorita, o Sidarta; a montagem moderninha de Minha Bela Dama (1964) na escola; e um carinha que ela gosta. São muitas coisas, o que nunca é muito positivo num filme, mas apesar de tudo acho que o roteiro conseguiu abrange-los e os seguimentos foram bem amarrados e até bastante convincentes. Pelo menos a maior parte deles.

Claro que o melhor deles é o do show, é muito divertido ver Mary e sua amiga Ella (Allison Pill) fazendo de tudo para conseguir convencer seus pais à ir para Nova York ver o show e depois tentando conhecer os caras da banda. Teve uma época em que eu tentei fazer a mesma coisa pela minha banda preferida, o Beirut, mas infelizmente eles cancelaram o show antes de eu ter tido a oportunidade. Anyway, o que importa é que o filme é muito fácil de se identificar por esse motivo, quem é fã sabe. A compra valeu pela nostalgia.

  • O Garoto de Liverpool (2009), de Sam Taylor-Wood

Esse aqui foi o único que eu não comprei no Feirão. Foi um achado em outro lugar em que eu amo comprar DVDs: as Lojas Americanas. Me surpreendi porque nunca achei que esses filmes que eles vendiam na capa de papelão fossem bonitos por dentro. Foi uma grata surpresa. Mesmo que a capa seja realmente muito feia.

O Garoto de Liverpool é baseado no livro Imagine This: Growing Up With My Brother John Lennon e mostra o jovem e solitário John vivendo em Liverpool e sendo criado pela autoritária tia Mimi. Seu maior ídolo era Elvis Presley e foi nessa época, quando vivia se questionando “porque Deus não me fez Elvis?”, que ele encontrou no rock uma forma de expor seus dilemas e sentimentos. Se você é fã dos Beatles e ainda não assistiu o filme, saiba que esta cine biografia não é apenas sobre o músico John Lennon, o foco recai principalmente sobre o adolescente John, suas dúvidas, amarguras e até as chatices.

Assisti o filme já faz um tempinho, mas vai ser bom revê-lo em breve, eu gostei muito da história. Uma curiosidade: o ator que interpreta o John, Aaron Taylor-Johnson, e a diretora se casaram um tempo após as gravações e estão juntos até hoje.

  • Um Homem Sério (2009), de Joel e Ethan Coen

Esse é o meu primeiro filme dos Irmãos Coen em dois sentidos: é o primeiro filme deles na minha estante e o primeiro que vou assistir da filmografia da dupla. Os Irmãos Coen escrevem os próprios roteiros dos filmes que dirigem, fora os roteiros que escrevem para outros diretores, e esse é geralmente o maior trunfo nos seus longas. Como fã da arte de escrever filmes eu não podia deixar de conferir a obra dos dois.

Na comédia, Larry Gopnick (Michael Stuhlberg, que é muito parecido com o Joaquin Phoenix) é um professor de física que vê sua vida mudar radicalmente quando sua esposa, Judith (Sari Lennick), decide deixá-lo por Sy Ableman (Fred Melamed). Além disto, uma carta anônima ameaça sua carreira na universidade. Larry ainda precisa lidar com os problemas de Arthur (Richard Kind), seu irmão, que mora em sua casa e dorme no sofá; seu filho Danny (Aaron Wolff), problemático e rebelde; e ainda Sarah (Jessica McManus), sua filha, que constantemente pega dinheiro de sua carteira para uma futura cirurgia plástica no nariz. Sem saber o que fazer, Larry busca os conselhos de três rabinos.

  • Maria Antonieta (2006), de Sofia Coppola

Definitivamente a compra que me deixou mais feliz! A verdade é que a história de Maria Antonieta fica completamente ofuscada por toda a arte do filme: desde a fotografia, passando pelos figurinos e a maquiagem e terminando na direção de arte. O filme é belíssimo. A Sofia Coppola conseguiu imprimir um ar elegante, leve, moderno e rocker à uma história que estamos cansados de ouvir nas aulas de história. O filme se vale só pelo visual e não à toa conseguiu um Oscar pelo figurino além de indicações em outras categorias técnicas.

Mas pensando mais seriamente sobre o enredo, o filme retrata a história de uma adolescente, quase uma criança, que saiu de seu país natal para casar com um completo estranho e se tornar a mulher mais poderosa da França. Maria Antonieta chega a ser real em muitos momentos por se tornar uma metáfora para situações que qualquer garota, em qualquer lugar do mundo, poderia viver, afinal ele fala sobre amadurecimento, sobre pressão dos que vivem à sua volta, sobre ter milhões de responsabilidades mas querer apenas curtir o seu momento com os amigos. Uma delícia de se assistir.

  • Mens@gem Para Você (1998), de Nora Ephron

Acho que Mens@gem Para Você já se tornou um clássico. Quem não conhece a história dos vendedores de livros que se conheceram pela internet e acabaram se apaixonando, mas que quando se viam ao vivo, sem saber que se conheciam, só faltavam matar um ao outro? A performance do Tom Hanks e da Meg Ryan também é uma atração à parte. Sem falar que os diálogos são excelentes.

Destaque para o diálogo entre os dois quando o Joe (Tom) explica para a Kathlleen (Meg) por que O Poderoso Chefão (1972) é a resposta para todas as questões importantes da vida. É genial. É exatamente assim que eu me sinto com (500) Dias Com Ela (2009).

  • Por Uma Vida Melhor (2009), de Sam Mendes

Esse é um daqueles filmes com que eu tenho uma historinha. Por muito tempo eu passei por ele na locadora, mas nunca dava muita atenção. Eu sempre achei a capa bonita, mas nunca me dei ao trabalho de olhar do que se tratava. Bisbilhotando um pouco na internet, descobri Por Uma Vida Melhor na filmografia do Sam Mendes e achei meio coincidência. Aí quando vi que estava à venda no Feirão decidi levar.

Ainda não assisti nem nada, mas estou ansiosa. Aqui vai a sinopse: Burt (John Krasinski) e Verona (Maya Rudolph)  estão animados em ter o primeiro filho em alguns meses. O casal mora no mesmo estado que os país de Burt e gostam da ideia de tê-los por perto. Porém, ao saber que os avós do futuro bebê pretendem mudar para a Bélgica, Verona fica abalada já que perdeu os pais quando era jovem. Na busca de solucionar o problema, eles decidem viajar pelo país, conversar com amigos e descobrir qual o melhor lugar para criar o filho deles.

  • Quatro Amigas e Um Casamento (2012), de Leslye Headland

Esse aqui eu comprei por conta da Kirsten Dunst, que é maravilhosa. Também porque não fui bem sucedida em encontrar a versão legendada para assistir na internet. Mesmo não gostando muito de comédias, o elenco é bem legal e parece ser divertido.

Em Quatro Amigas, as garotas mais populares da escola Regan (Kirsten Dunst), Katie (Isla Fisher) e Gena (Lizzy Caplan) têm como passatempo perturbar a gordinha e pouco popular Becky (Rebel Wilson). Agora, anos mais tarde, Becky é a primeira a se casar. Para escolher as madrinhas do casamento, Becky escolhe suas antigas amigas. Logo depois o trio aceita o convite e resolve preparar para Becky uma despedida de solteira, mesmo sem conseguir esconder a dor de cotovelo por ela ser a primeira do grupo a se casar.

  • Ruby Sparks: A Namorada Perfeita (2012), de Jonathan Dayton e Valerie Faris

Jonathan e Valerie são casados e foram os diretores de Pequena Miss Sunshine (2006), um filme que eu amo. Eles continuam essa parceria em Ruby Sparks, também muito adorável. Aqui, Calvin é um jovem escritor que foi incrivelmente elogiado por seu primeiro livro. Agora ele sofre com a pressão de escrever outra obra à altura da primeira. Pensando em seu bloqueio criativo, seu terapeuta lhe dá a ideia de escrever aleatoriamente sobre alguém. Então ele começa a escrever sobre Ruby, uma garota fictícia que poderia ser a namorada perfeita para ele. Eis que Ruby um dia aparece em sua casa, completamente real e pensando por si mesma.

Esse é um romance adorável, que lembra o brasileiro A Mulher Invisível (2009), se baseia no mito de Pigmaleão e tem “Ruby”, do Kaiser Chiefs, na trilha sonora. O roteiro foi escrito pela protagonista Zoe Kazan que atua junto com seu namorado Paul Dano, o irmão da Olive de Pequena Miss.

  • Sim Senhor (2008), de Peyton Reed

Para a coleção do Jim Carrey, um dos meus preferidos da sua filmografia. Sim Senhor é uma daquelas comédias com premissa bem clichê e se parece muito com outros que o próprio Jim já fez como O Mentiroso e O Todo Poderoso, todos muito divertidos. Eu adoro os trabalhos antigos dele. E tem a Zooey Deschanel bem antes da Summer de (500) Dias. Para quem não sabe, no filme, Carl Allen (Jim) tem o costume de dizer “não” à tudo. Mas depois que vai à uma palestra motivadora ele passa a ser obrigado a substituir o “não” pelo “sim” e começa a dar chance a novas oportunidades na sua vida.

  • Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (2007), de Tim Burton

Agora a coleção do Johnny Depp. Sweeney Todd é um dos meus filmes preferidos, tanto do Johnny quanto do Tim. É um musical (o que já ganha muitos pontos) sobre um homem que sofreu uma injustiça no passado e agora volta à sua cidade para se vingar daqueles que arruinaram sua vida. Tudo isso com muito sangue e carne humana virando recheio de torta.

Baseado na peça homônima escrita por Stephen Sondheim, o elenco conta também com a presença de Helena Boham Carter, Alan Rickman, Sacha Baron Cohen e Timothy Spall, todos cantando músicas que não saem da cabeça de jeito nenhum. Um clássico.

Crystal Ribeiro

Porque você deveria abandonar o shampoo agora! (Parte 1)

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(Desculpem, mas o post teve que ser longo por motivos de muito pano para a manga)

Quando decidi ficar ruiva há dois anos e meio muita coisa mudou para mim. A rotina de uma pessoa que pinta os cabelos é completamente diferente da rotina de alguém que tem cabelos virgens, e para mim foi sofrido descobrir isso. A coloração mudou muito a textura do meu cabelo, antes eu conseguia apenas usar shampoo, condicionador e creme para pentear de qualquer marca e ele já ficava bastante bom. Depois de passar a usar tinta regularmente meu cabelo foi ficando ressecado e sem movimento e foi necessário pesquisar em mil e um sites para saber como lidar com essa nova fase da minha vida, até porque parar com a tinta estava fora de cogitação. Foram nessas pesquisas que eu descobri o cronograma capilar, a glicerina, os óleos, a queratina e o Low Poo.

Essa última técnica (que eu já mencionei vagamente neste post, quando falei do shampoo Johnson’s) foi a maior transformação que poderia ter acontecido comigo, não só com o meu cabelo em si, mas com a forma como eu via os produtos que eu estava consumindo e como isso afetava minha saúde. Mas antes de tudo, o que diabos é Low Poo?

O QUE É LOW POO?

Low Poo é uma técnica de cuidados com os cabelos que ficou conhecida depois que Lorraine Massey, criadora da marca Deva Curl (internacionalmente conhecida por seus produtos para cabelos cacheados), “ensinou” em seu livro Curl Girl (traduzido agora no Brasil como O Manual da Garota Cacheada) como as mulheres cacheadas poderiam cuidar de seus cabelos de uma forma diferente, e sobretudo eficiente, da que cabeleireiros e marcas de produtos tradicionais ensinavam. Referência internacional no tratamento de cabelos cacheados, Lorraine, através do seu livro, buscou empoderar e incentivar mulheres a assumirem seus cachos, pois para ela, é possível sim alcançar um cabelo cacheado bonito e saudável sem sofrimento.

Em Curl Girl, Lorraine alerta aos leitores todos os perigos de usar compostos pesados no cabelo, como é o caso das parafinas e do óleo mineral (presentes na maioria dos produtos lançados no mercado) que formam uma película protetora no fio que o deixa bonito externamente, mas que não o trata por dentro. Essas substâncias são responsáveis por impedir a ação correta de máscaras e outros tipos de tratamento benéficos ao cabelo.

Quando você deixa de usar produtos com esses compostos, o uso de shampoos com sulfatos fortes (de novo a maioria dos que estão presentes no mercado) não é mais necessária, pois a limpeza que eles promovem é profunda demais, o que acaba ressecando demais os fios. Assim, você pode passar a usar shampoos sem sulfato ou com sulfatos fracos que já realizam toda a limpeza necessária sem ressecá-los, mantendo sua oleosidade natural e, consequentemente, sua hidratação. Essa técnica é conhecida como Low Poo: low = menos, e poo = shampoo.

O QUE É NO POO?

Junto ao Low Poo, e mais comum entre as cacheadas, está o No Poo que vai um pouco mais além da técnica anterior e abole qualquer tipo de shampoo da rotina capilar (no = não, nenhum; poo = shampoo). Aqui, já que os sulfatos de nenhum tipo são permitidos, também é proibido o uso de produtos que contenham silicones insolúveis em água, que só podem ser retirados do cabelo com sulfatos, fracos ou fortes.

Mas e como é que esse pessoal lava os cabelos? Simples: com o Co-Wash (co = condicionador; wash = lavar). Acredite, dá para lavar o cabelo com condicionador e o efeito é tão bom e até melhor que o shampoo. Claro que não pode ser qualquer condicionador, precisa ser um produto livre de petrolatos, óleo mineral e silicones insolúveis em água. Isso porque a técnica não permite o uso de sulfatos, que são os compostos que limpam totalmente esses produtos aí de cima, então só o que é solúvel em água é permitido. E como um condicionador liberado tem a fórmula bem leve, ele não obstrui os folículos capilares e pode ser usado à vontade no couro cabeludo.


Ler tudo isso pela primeira vez, para mim, foi uma completa doideira, afinal são muitos nomes difíceis que eu nunca tinha visto, muito menos parado para pensar sobre o que faziam, para que serviam etc etc. Além de que essas técnicas foram, inicialmente, pensadas para pessoas com cabelos enrolados, cacheados e crespos, que são naturalmente mais secos que os lisos (como o meu) e eu sentia que esse tipo de cuidado era desnecessário para mim. Sem falar que olhar para as listas de petrolatos, sulfatos e silicones proibidos é bastante assustador à primeira vista.

Mas depois de tanto assistir vídeos e ler posts de meninas de cabelos lisos e até ruivos que seguiam as técnicas e que, com o tempo, só viam benefícios, eu tomei coragem e iniciativa para ver no que tudo isso ia dar. Afinal, não ia me custar nada além de mais algum tempo de leitura em grupos do Facebook e um pouco de dinheiro para comprar alguns produtos para me ajudar. Optei pelo Low Poo porque se desgrudar totalmente do shampoo de uma hora para outra poderia ser estranho para mim, e na época eu conhecia mais produtos liberados para o Low do que para o No Poo. E no que deu essa história toda?

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QUAIS OS BENEFÍCIOS DE SEGUIR A ROTINA CAPILAR LOW E/OU NO POO?

Eu estou seguindo o Low/No Poo há exatos um ano e não poderia ser mais fã dos resultados. Foi um pouco difícil no começo me acostumar com olhar as letrinhas miúdas da parte de trás dos produtos para checar se eram ou não permitidos. Mas carregar tabelinhas (como essa aí de cima) no celular é uma mão na roda e com o tempo dá para se acostumar e lembrar facilmente dos nomes mais comuns. Também os grupos do Facebook No e Low Poo Iniciantes e Low/No Poo (lisas e onduladas), entre vários outros, me ajudaram muito na hora de tirar dúvidas sobre composições, compartilhar resultados e ainda dá para encontrar diversas listas de produtos liberados.

Logo de cara, no que diz respeito à cor, a diferença é muito grande. Como os sulfatos fortes são os principais responsáveis por desbotar a cor dos cabelos, usar shampoos sem sulfato ajudou muito a manter a cor viva por mais tempo. Quem pinta os cabelos com alguma cor que desbote com mais facilidade, como o ruivo e os tons fantasia, sabe como é aterrorizante ver a cor indo pelo ralo do boxe, por mais que a tinta seja de boa qualidade. É inevitável. Mas seguir a técnica me ajudou muito a otimizar o intervalo entre as colorações e tonalizações.

Sobre a aparência e a saúde dos fios a diferença é a mais gritante. Sem o ressecamento exagerado que o meu cabelo estava sofrendo com o uso de shampoos comuns, os fios ficaram muito mais leves, brilhosos e fortes do que eu notava antes. Os cuidados se tornaram mais simples e eu não precisava mais gastar tanto tempo investindo no cabelo, pois ele ficava naturalmente bonito. Como eu parei de usar óleo mineral e parafina nos fios, toda a “maquiagem” dele saiu (e é essa a palavra mesmo) e eu pude ver como o meu fio estava realmente. Tive que cuidar bastante dele nas primeiras semanas, mas depois o cabelo ficou com uma aparência muito mais bem cuidada e muito mais leve que antes, até a ondulação natural dele ficou mais marcada.

MAS OS PRODUTOS LIBERADOS PARA AS ROTINAS SÃO MUITO CAROS?

Só se você quiser, porque existem opções excelentes por aí, fáceis de se encontrar e dos mais diversos preços. Marcas famosas como L’Oreal, Novex, Bio Extratus e Lola, só para citar algumas, já fazem produtos voltados para as técnicas e pensando nesse público diferenciado. Sem falar das marcas que já faziam produtos liberados e que agora estão cada vez mais focadas nesse mercado depois que viram como o público consumia esses produtos, como a Yamá e a Kanechom.

Eu consigo cuidar muito bem dos meus cabelos com produtos de, no máximo, 20 reais. Depois de um tempo ruiva, eu achava que teria que gastar quantias enormes de dinheiro para ter cabelos bonitos e, por muito tempo, foi assim. Hoje em dia, meus produtos mais caros são as tintas e o tonalizante que eu uso, mas para cuidar e tratar deles eu percebi que produtos baratinhos eram tão eficientes quanto uma máscara caríssima que eu pudesse comprar. Eu só precisava pesquisar e saber usar o que eu tinha. E realmente, no meu banheiro eu só tenho produtos baratinhos e os resultados são maravilhosos. Sem falar que usei o dinheiro que eu gastava antes de forma bem mais inteligente.

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COMO É USAR CONDICIONADOR PARA LAVAR OS CABELOS?

Para mim, a maior dificuldade no início foi saber fazer a lavagem do cabelo com condicionador. Apenas de uns sete ou oito meses para cá foi que consegui entender como funcionava o processo. Não quero que pareça que o Co-Wash é um bicho de sete cabeças, mas a prática ajuda muito a pegar o jeito. O que eu faço é pegar um quantidade mais ou menos grande de condicionador e espalhar pelo couro cabeludo, primeiro da nuca até um pouco a cima das orelhas, depois na parte da frente e no topo, e massagear com a ponta dos dedos em movimentos de vai-e-vem por alguns minutos. Depois espalho um pouco mais de produto pelas pontas, sem esfregar e enluvando bem. E depois exaguo retirando todo o produto.

Se engana quem pensa que o cabelo fica oleoso ou pesado depois dessa lavagem. Condicionadores permitidos conseguem tirar toda a sujeira que se acumula nos fios perfeitamente bem. Os condicionadores próprios para Co-Wash e também os shampoos sem sulfato possuem uma substância chamada Cocamidopropyl Betaine, um anfótero, que serve para limpar ainda mais profundamente e faz as vezes do sulfato. E sem ressecar nem retirar do fio nada do que não deveria.

Usar o condicionador com essa intenção é muito prático e chega a se viciante, porque não dá vontade de usar outra coisa. A maioria das minhas lavagens, hoje em dia, é com Co-Wash e a sensação de leveza é muito grande.

QUAIS OS LADOS RUINS DE SEGUIR A ROTINA CAPILAR LOW/NO POO?

Eu diria que o lado ruim de adotar essa técnica é apenas não ter se dado bem com ela. Existem algumas pessoas que, por mais que tentem, não conseguem se adaptar e é normal. Mas eu aconselho iniciantes a tentar por pelo menos por alguns meses. No início o cabelo pode ficar meio sem vida e ressecado justamente por conta dessa adaptação, mas depois que esse período passa é impossível não se apaixonar. Hoje quando preciso lavar os cabelo com um shampoo comum depois de ter pintado (porque a água oxigenada que eu uso possui parafina) eu sinto muito a diferença: o cabelo cai e resseca muito mais que normalmente.

E SEU EU TIVER PROBLEMAS COM QUEDA, CASPA OU OLEOSIDADE EXCESSIVA? POSSO FAZER MESMO ASSIM?

As técnicas do Low e do No Poo são indicadas, principalmente, para cabelos cacheados e crespos por eles serem naturalmente mais secos, mas isso não impede que ondulados e lisos também possam seguir, principalmente se eles estão muito danificados por químicas. Os benefícios são iguais para todos. Pessoas que tem cabelos oleosos não precisam se preocupar se os fios vão pesar por conta da técnica, porque na maioria das vezes, essa oleosidade está ligada com a lavagem excessiva do couro cabeludo, que causa o efeito rebote (quanto mais lavagens, mais o folículo acha que precisa produzir oleosidade). O uso de produtos liberados, que são mais leves, ajudam no controle desse problema.

A mesma coisa acontece com pessoas que tem problemas com queda e caspa. Muitas vezes é o uso de produtos muito fortes que pode estar causando esses danos à saúde do couro cabeludo. Mas para casos mais graves, é importante consultar um dermatologista ou um tricologista para que ele possa tratar adequadamente do problema, até porque o No e o Low Poo não substituem um tratamento médico.

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E OS PARABENOS?

Parabenos são substâncias conservantes presentes em diversos cosméticos como cremes para pentear, hidratantes, desodorantes etc. Eles servem para aumentar a vida útil desses produtos e evitar a proliferação de microorganismos. Existe muita polêmica em torno do risco do uso excessivo desses componentes já que eles podem causar alergias sérias em pessoas com pele muito sensível. Em alguns países o seu uso foi proibido por lei.

Mas o que isso tem a ver com o No Poo? É cada vez mais comum ver marcas mudando sua filosofia e substituindo o uso de parabenos por conservantes naturais, sobretudo em condicionadores para Co-Wash, já que eles são aplicados diretamente no couro cabeludo e têm mais chances de causar alergias. É o caso do Yamasterol da Yamá, um produto bem famoso entre os praticantes da técnica. O antigo creme Yamasterol, muito usado para lavar os cabelos, possui parabenos em sua fórmula original. Hoje reformulado pela marca em um produto específico para lavagem, é livre de parabenos e com adição de conservantes naturais.

Se você começar a técnica e sentir coceira após as lavagens, pode ser que sejam os parabenos. É bom ficar de olho.

O QUE MAIS MUDOU?

Mas você me pergunta: “E porque esse tal de Low Poo mudou tanto a sua vida? O que ele tem de tão especial?”. Inicialmente o Low Poo era para mim apenas uma técnica que eu seguia para deixar o meu cabelo bonito. Mas aos poucos, convivendo com ela todos os dias, eu fui percebendo que era bem mais que isso.

Pode se dizer que seguir o No e o Low Poo é mudar bastante o estilo de vida. A filosofia maior da técnica é usar menos produtos, sendo eles muito mais leves. Isso desestimula o consumo excessivo e o uso de compostos que são agressivos ao meio ambiente. A maioria das marcas que fazem produtos direcionados para a técnica estimulam a cultura vegana, lançando produtos o mais natural possível e sem fazer testes em animais (cruelty free).

Funciona como um ciclo. Desde que adotei essa filosofia tenho mudado bastante a minha visão de produtos “naturebas”, dos quais nunca fui muito fã. Hoje sei que esse tipo de produto tem o efeito até melhor que algum industrializado e aos poucos fui substituindo muitas das coisas que eu uso. Com o Low Poo eu aprendi que derivados de petróleo só funcionam para mascarar a saúde do cabelo ou da pele e não compro mais nenhum tipo de creme com esse componente.

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Mari Morena (Imagem: @mariiimorena)

Não se trata de extremismos, mas de saber o que é melhor para a saúde. Hoje não basta mais para mim apenas ler o que o produto promete na frente do rótulo: uma máscara pode se dizer muito nutritiva e enriquecida com óleo de argan ou algo do tipo, mas quando eu olho no verso, na composição do produto, vejo que o óleo é um dos últimos componentes, o que não vale de muita coisa.

Acho que se trata muito de pensar mais leve e consciente, começando pelo que eu consumo todos os dias. É um começo interessante para se repensar conceitos já internalizados, que se tornam até maquinais por conta da rotina do dia a dia. Se você se interessar ou se inspirar de alguma forma, sugiro que comece agora! Recomendo o canal e o blog da Mari Morena para começar, ela é praticamente a embaixadora do No e Low Poo no Brasil e tem muito embasamento para falar dessa filosofia. Se eu não consegui, ninguém melhor que ela para te convencer a dar início à técnica.

Como o assunto rende, ainda vou trazer outro post com o passo a passo para aderir tanto ao Low quanto ao No Poo e algumas dúvidas frequentes. E desculpem de novo o tamanhão.

Crystal Ribeiro