Eu e a minha Gallery Wall

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Finalmente mais um post sobre decoração! Quando completou um ano que me mudei para o apê novo, fiz uma super faxina e deixei a parede principal do meu quarto totalmente limpa para um novo projeto. Antes ela era ocupada por um quadro de cortiça em que eu fixei vários recortes de filmes, bandas e outras coisinhas. Como sou do tipo que enjoa regularmente da aparência das coisas, decidi tirar o quadro dali e tentar alguma coisa nova.

Minha ideia era ampliar o conceito do quadro de cortiça e fixar mais figurinhas, mas dessa vez na parede mesmo, fazer uma Gallery Wall diferente. Peguei muitas inspirações pela internet, com fitas pretas, quadros e mais um monte de coisas, mas não consegui me desprender da ideia de ter as minhas coisas favoritas ali junto de mim. Me inspira demais olhar para tudo o que eu adoro. Então com a ideia na cabeça fui em busca de imagens (dei preferência a ilustrações) de várias coisas que eu amo: filmes, bandas, livros, lugares, entre outros itens.

O Pinterest foi essencial para que eu achasse as ilustrações que eu queria e foi muito difícil me controlar na hora de escolher as figurinhas, já que eu amava todas, mas como teria que imprimi-las coloridas, me controlei para não ficar muito caro. Por fim, fechei em 35 imagens, entre ilustrações e fotos, do meu mundinho colorido.

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Para imprimir, arrumei as imagens no Word e consegui deixar pelo menos duas por página, todas em seu tamanho original (procurei por imagens grandes). Foram 23 páginas no total. Encontrei uma copiadora perto da faculdade que cobrava um preço bom para imprimir tudo. Gastei R$ 12,50 por todas elas.

Depois o trabalho foi de recortar e cobrir as bordas com uma fita dupla face que eu tinha guardada aqui em casa. Nada que um filminho na TV não ajude a distrair. Usei uma tinta branca e um pincel (também guardados na minha caixa de DIYs) para pintar os dois preguinhos que prendiam o meu quadro de cortiça. A fita crepe eu usei para fixar as pontinhas para reforçar, já que a parede é texturizada.

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Quando se trata de DIYs eu tenho capricho, mas sou muito intuitiva também. Então não fiz marcações na parede nem nada, só fui colocando primeiro as imagens maiores para delimitar o espaço e depois as menores para preencher o que sobrava. O resultado é esse que vocês estão vendo aí embaixo. Fiquei muito apaixonada pelo resultado, sério. Levantou totalmente o astral da parede, que estava branca demais. Já gostei muito de paredes lisas, hoje em dia até as do banheiro eu preencho com alguma ideia legal.

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Espero que eu tenha conseguido inspirado vocês de alguma forma. É sempre bom dar vida e uma cara nova ao que a gente tem de antigo. E lembrando que nenhuma das duas fitas (dupla face ou crepe) estraga a parede, já usei as duas antes e pelo menos por aqui foi supertranquilo. Em breve trarei mais algumas inspirações para preencher paredes e outras coisinhas mais.

Crystal Ribeiro

‘Freaks and Geeks’ (1999-2000)

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Imagem: Isadora M. (Capitolina)

Quem leu o post em que eu cito meus Favoritos do mês de Julho sabe que Freaks and Geeks figurou entre os meus amorzinhos das férias. Foi difícil explicar o quanto essa série é incrível em apenas um tópico, então resolvi trazer uma resenha completa para te convencer de uma vez por todas que ela não é uma série qualquer. Freaks and Geeks é praticamente obrigatória.

Eu nunca fui muito fã de filmes estilo colegial, com líderes de torcidas, caras do futebol, nerds e essa coisa toda. Parecia tudo muito superficial e distante de mim: os filmes usavam esses esteriótipos para retratar, sem nenhuma sensibilidade e coerência, o universo adolescente. Claro, às vezes era legal sonhar com essa realidade quando se assistia esse tipo de filme, mas eu não me sentir representada neles. Quando se é adolescente é muito importante pertencer a algum grupo tanto quanto achar o seu próprio “eu” no mundo. E esses filmes estereotipados não ajudavam em nada.

Quando Freaks and Geeks apareceu no universo das séries americanas eu ainda era uma criança. Só agora, já há algum tempo longe do colégio, é que tive contato com a série e fico pensando em como deve ter sido incrível para tantos jovens assistir TV e finalmente se ver lá. Se os filmes do John Hughes mostraram as aspirações e sonhos do adolescente dos anos 80 de forma até um pouco fantasiosa, é Freaks and Geeks quem toma a iniciativa de retratar, sem pesar a mão, mas também sem floreios, o jovem não só dos anos 80, mas dos anos 90, 2000 e enquanto adolescentes forem adolescentes.

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Imagem: Planet Claire

Ela foi criada e dirigida por Paul Feig (The Office, Parks and Recreation) e Judd Apatow (Ligeiramente Grávidos, O Virgem de 40 Anos), que hoje em dia são mais que conhecidos por inúmeras comédias, tanto séries quanto filmes, que você provavelmente já viu ou ouviu falar. A série tem apenas uma temporada com 18 episódios, 40 minutos cada, que você não sabe se assiste de tanta ansiedade ou economiza para não acabar logo. É unânime: não tem como não ficar triste com o fim precoce de Freaks and Geeks. E eu já explico por que.

Ambientada nos anos 80, mais exatamente em 1983, Freaks and Geeks começa com seus personagens principais passando por mudanças bastante comuns no mundo adolescente. Lindsay Weir, que até o ano passado era uma matleta (atleta da matemática) certinha, resolve vestir a parca militar do seu pai e entrar para o grupo dos Freaks, como são conhecidos os delinquentes do seu colégio. São eles são Daniel, o líder considerado pelos adultos um caso perdido; Kim, a namorada de Daniel que vem de uma família que não liga a mínima para ela; Nick, que passa metade do seu tempo drogado e quer ser um baterista famoso; e Ken, durão e palhaço, outro caso perdido. Mesmo desconfiados com a presença de Lindsay no começo, aos poucos os personagens vão se entendendo e criando uma amizade forte, mas também autodestrutiva.

Já Sam Weir, irmão mais novo de Lindsay, acabou de chegar ao quinto ano e pertence aos Geeks, os nerds do colégio amantes de Star Wars e Bill Murray. O grupo é formado inicialmente por Bill, desengonçado e doce; e Neal, que jura ser muito descolado. O trio vai, durante a série, fazer amigos, lidar com bullies, professores de educação física e com a obsessão de Sam por Cindy Sanders.

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Imagem: Planet Claire

Sim, a história é bem simples, mas é impossível não se identificar pelo menos uma vez ao longo da história. Todos os assuntos imaginados sobre o universo adolescente (ok, não todos, mas os mais importantes) foram mencionados aqui. A diferença é que em Freaks and Geeks os roteiristas não deixam esses assuntos na superfície como a maioria dos filmes estereotipados. Melhor que isso: ao invés de dar uma lição de moral direta e sem graça do tipo “não use drogas”, eles mostram como os personagens lidam e como resolveriam esses problemas como adolescentes. As soluções não parecem vir da mente de uma pessoa adulta que vê a situação sem se identificar, mas sim de um jovem que totalmente compreenderia o que os personagens passam. Esse é o trunfo da série.

Os sentimentos e as ações são muito próximos do público: Lindsay ajuda Daniel a colar na prova; Sam não gosta de educação física; Bill sofre com brincadeiras sem graça dos valentões da escola; o pai de Nick acha que ser baterista é o mesmo que ser um vagabundo; Kim numa hora briga com Daniel e em outra volta a se agarrar com ele; Neal descobre que seu lar perfeito não existe já que seu pai tem uma amante; Ken se apaixona por uma garota da banda do colégio, mas tem vergonha que os outros saibam. Quem nunca passou por situações como essas? Quem nunca pensou, enquanto era adolescente, que seus problemas eram tão grandes que qualquer coisa parecia o fim do mundo? Esses personagens estão aprendendo a lidar justamente com isso, com seu mundinho particular. E é fascinante de assistir.

O roteiro traz todos esses conflitos e inúmeros outros de forma muito leve e divertida. Ele é sensacional. Claro que alguns episódios são melhores que outros, mas no geral todos eles são muito bem desenvolvidos. As personagens são esféricas, você pode ver suas personalidades bem evidentes e complexas em contraponto aos roteiros planos dos filmes adolescentes que eu mencionei no começo do post.

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Imagem: Daily Motion

Outro ponto alto são as críticas ao comportamento, principalmente, dos adultos. Ao entrar em contato com esses jovens eles se questionam sobre suas próprias atitudes e aprendem, junto com eles, a lidar com essa fase. Os pais de Lindsay, o orientador da escola, o professor de matemática, todos eles parecem flutuar sobre esse universo adolescente sem entendê-lo, mas também algumas vezes sem querer que isso aconteça. Por exemplo, o episódio em que Daniel está para ser reprovado em matemática: o professor, ao invés de dar ainda mais atenção a alunos que tem dificuldade, alega que Daniel é imprestável, que não quer aprender, que nunca vai ser alguém na vida. Queria que todos os pais e professores de adolescentes pudessem assistir Freaks and Geeks.

A abertura é uma diversão a parte com os personagens aparecendo um a um para tirar a foto do anuário escolar ao som de “Bad Reputation” de Joan Jett and The Blackhearts. Algumas participações especiais pipocam ao longo da temporada como as de Jason Schwartzman, Ben Stiller e Shia LeBoeuf. Em apenas uma temporada a série alavancou a carreira do trio Freak (James Franco, Seth Rogen e Jason Segel), por exemplo, que atualmente é muito conhecido no universo da comédia hollywoodiana. Mas o mérito não fica só com eles, todo o elenco faz um trabalho excelente, nos faz torcer e nos encantar pelos personagens, esperar pelo próximo episódio e não querer largá-los nunca mais.

Uma vez encontrei por aí o comentário de um cara sobre Freaks and Geeks que dizia: “Eu queria nunca ter assistido só para poder assistir de novo”. É exatamente assim que eu me senti quando terminei o 18º episódio: queria poder assistir tudo de novo com esse sentimento de primeiro encanto. Não lembro exatamente onde ouvi falar sobre a série, mas fico muito feliz de tê-la descoberto. Mesmo com toda a revolta que fica quando a única temporada chega ao fim. Um texto muito inteligente, personagens extremamente cativantes e uma comédia na medida certa. Isso é Freaks and Geeks. Uma pérola do universo adolescente.

Crystal Ribeiro

* Assista agora!

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Imagem: Enciclopédia de Cromos

Crítica: Trilogia ‘Before’ (1995 – 2013)

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Imagem: onmogul.com

No último domingo eu maratonei uma trilogia que estava a tempos na minha lista de pendências: a trilogia Before, escrita e dirigida por Richard Linklater em parceria criativa com os atores Ethan Hawk e Julie Delpy, que também interpretam os personagens principais. Se o tempo todo somos bombardeados com romances clichês, melosos e cheios de finais felizes inoportunos, é um suspiro para mim encontrar (e me apaixonar) por filmes como (500) Dias Com Ela (2009), Annie Hall (1977), Ela (2013) e agora essa trilogia. É quando eu volto a descobrir porque eu gosto tanto de assistir filmes de romance. Estes sim sempre tem espaço na minha estante.

A trilogia do Antes começou assim: durante uma viagem, o diretor conheceu uma moça chamada Amy Lehrhaupt numa loja de brinquedos e eles começaram a passear pela cidade falando sobre “arte, ciência, filmes e coisas”. Durante o passeio ele falou para ela que iria fazer um filme sobre “aquilo”. Amy perguntou o que era “aquilo”, e ele respondeu: “Este sentimento. O que a gente está tendo agora”. Foi daí que surgiu a ideia para o enredo de Antes do Amanhecer, primeiro filme da saga.

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Imagem: Cine Líbero Luxardo
  • Antes do Amanhecer (1995)

Jesse é americano. Celine é francesa. Os dois se conhecem num trem à caminho de Viena. Jesse vai descer na cidade para pegar um vôo de volta para os Estados Unidos e Celine vai seguir no trem para Paris, onde mora. Depois de muita conversa, Jesse propõe que os dois desçam em Viena para conhecer a cidade antes que ele pegue seu avião e eles não se vejam nunca mais.

E assim começa a deliciosa maravilha que é assistir Antes do Amanhecer. É aqui que começamos a acompanhar a história de duas pessoas comuns, mas ao mesmo tempo fascinantes. Celine é uma garota inteligente, que cursa a Universidade de Sorbonne e que gosta de sonhar alto. Seus pais foram ativistas quando jovens, mas hoje vivem de podar a filha de acordo com seus gostos e nunca deixam que ela tenha a palavra final sobre sua vida. Já Jesse vem de um lar desfeito, seus pais não estão mais juntos e desde muito cedo ele gosta de cair no mundo e viver de acordo com suas escolhas. Ela é forte, inteligente e tem cabeça aberta; ele é engraçado, cético e não tem neuras com a vida. Ela tem espírito velho, ele é um eterno adolescente.

Os dois têm personalidades bastante opostas. A ligação entre eles é muito forte e em pouco tempo já se percebem apaixonados. Durante essas horas em Viena eles conversam sobre tudo: família, existência, futuro, diferenças entre homens e mulheres… Enfim, o assunto nunca acaba, uma coisa puxa a outra e os minutos parecem fluir sem serem notados, tanto pelo casal quanto por nós que estamos assistindo. Mas volta e meia eles se deparam com a questão: como vão continuar se relacionando se moram tão distante um do outro? O espectador é convidado o tempo inteiro a somar o ceticismo, a insegurança, o lado racional e o “aquilo” que eles estão sentindo. O coração se parte a cada argumento, mas os olhos não se desgrudam da tela.

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Imagem: Cinema e Debate

Aliás, o roteiro acerta quando o assunto é fugir de obviedades. Se as primeiras cenas dão a impressão de que um conto de fadas vai começar, isso logo passa depois que eles começam a trocar as primeiras ideias em Viena. Indo de encontro aos roteiros expositivos comuns, o filme é cheio de “quases”, como quando Jesse tenta, mas perde a coragem de tocar os cabelos de Celine dentro do bonde, ou nos olhares dos dois dentro da cabine de música. O espectador morre porque nada acontece, mas esse “quase” consegue ser mais significativo do que se houvesse um toque ou um beijo. Tudo parece muito natural, como se essa história pudesse acontecer com qualquer um, em qualquer lugar.

O filme tem uma estética muito simples, as paisagens de Viena não têm o brilho das cenas de Meia Noite em Paris (2011), por exemplo, mas destacam a cidade sem tirar o brilho dos personagens. Não é um filme para qualquer um: a câmera enquadra Celine e Jesse quase o tempo inteiro e entramos de cabeça nos diálogos e pensamentos dos dois, mas com o suporte de cenas com muito significado. A ação física dá espaço ao confronto de ideias, então quem prefere filmes com muita ação e coisas acontecendo vai se decepcionar. Esse é o grande diferencial de Antes do Amanhecer (também de todos os outros): ter um roteiro com diálogos tão bem construídos que se bastam por si mesmos.

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Imagem: fontmeme.com
  • Antes do Pôr do Sol (2004)

Falar de Antes do Pôr do Sol não é dá spoilers sobre o resto da série, porque o bom não é saber o que acontece com eles (mesmo que fique uma curiosidade enorme para saber que fim levaram os personagens), mas sim entender mais um pouco da relação dos dois e como eles têm lidado com a vida depois deste primeiro encontro. É claro que se você não quiser absolutamente nenhum spoiler tudo bem, mas é melhor parar por aqui.

O segundo filme da trilogia se passa nove anos depois do primeiro. Nesse meio tempo (que não foi só real para o público, mas também para os personagens) em que estiveram separados, Jesse e Celine mudaram muito, suas vidas não são mais as mesmas de quando se conheceram. E o roteiro vai mostrando isso aos poucos, não entrega logo de cara o que aconteceu com os dois, mas vai dando pinceladas durante todos os 88 minutos do filme. Uma indicação do excelente trabalho que foi feito por Linklater.

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Imagem: Filmlinc.org

O interessante é notar a mudança nas opiniões que os personagens tinham, principalmente a respeito de amor e relacionamentos: se antes Celine era entusiasta do verdadeiro amor que duas pessoas podiam sentir e que essa busca era o que dava sentido à vida, agora ela passa por um momento de desilusões amorosas e seu lado cético toma a frente, como acontecia com Jesse; já ele, agora com um casamento frustrado, acredita que vai conseguir por a cabeça no lugar quando encontrar o amor de sua vida. Mesmo que a primeira vista os dois estejam seguros e bem resolvidos, todo esse disfarce vai caindo aos poucos.

O ritmo é perfeito. Jesse e Celine mais uma vez caminhando e se conhecendo (desta vez por Paris), e depois de quinze minutos parece que aqueles nove anos nunca existiram. A sintonia é a mesma. As camadas do roteiro vão se desenvolvendo, os personagens se tornam familiares de novo e o público não mais acha que os dois deveriam ficar juntos, mas sim que eles precisam um do outro. Tudo culmina na cena do apartamento de Celine, em que ela canta para Jesse a letra de uma valsa que escreveu no violão. Se no primeiro filme o espectador morria com os “quases”, aqui o coração chega a se partir. Sorte que não é preciso esperar para ver o filme seguinte.

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Imagem: IMP Awards
  • Antes da Meia-Noite (2013)

Em Antes da Meia-Noite, terceiro filme da trilogia, Celine e Jesse estão juntos, com duas filhas gêmeas e passando as férias na Grécia. Ele está preocupado porque acha que está perdendo a infância do seu filho Hank, agora com 13 anos, que só vê nos feriados. Celine entende sua preocupação, mas não aceita o fato de ter que se mudar com a família para os EUA já que está prestes a aceitar um emprego que sempre desejou. Quando as coisas pareciam calmas, uma possível separação parece ser inevitável para o casal.

Todos os filmes da trilogia são independentes, e mesmo que os finais deixem pontas soltas, elas servem para somar interesse ao filme, fazem parte da história. Mas é impossível não ver Antes da Meia-Noite como o ápice da aventura de Jesse e Celine. Nos filmes anteriores a separação deles era um tema recorrente, mas que parecia ter uma saída. Aqui o conflito vem somado com seus filhos, e esse amor é decisivo e tem grande relevância nos argumentos. O que só deixa o espectador mais nervoso e curioso pelo desfecho.

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Imagem: Consequence of Sound

Nove anos após os episódios de Antes do Pôr do Sol, o casal ainda tem aquela mesma ligação, a mesma cumplicidade e bom humor. Mas o tempo se passou, as ambições deles são outras e, de novo, é muito interessante ver essa mudança nas prioridades das suas vidas. Depois de ser compartilhada com outros personagens, a câmera volta a enquadrar Celine e Jesse em um momento longe da rotina de filhos/casa/trabalho e conseguimos, aos poucos, saber como realmente andam as coisas entre eles. Sutilmente, as questões vão sendo colocadas na mesa, as coisas nunca ditas começam a ser ditas e o coração se destrói de vez.

A cena da briga no quarto do hotel é desnorteadora. Tudo parece ir bem no começo e você espera um corte bonito para um desfecho romântico. Mas o diretor resolve que o público precisa sofrer um pouco e não tem pressa em terminar a sequência. Parece uma daquelas torturas chinesas: eles discutem e discutem e você só quer que eles calem a boca, deitem na cama e façam as pazes. Realmente fiquei nervosa com essa cena. O filme encerra a trilogia de uma forma muito bonita, indo na mesma linha de condução dos longas anteriores e deixando aquele gostinho de quero mais que eles sempre deixam. É inesquecível.


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Imagem: The Cheerful Wanderer

Assistir a trilogia do Antes, para mim, foi entrar em contato com (quase) tudo aquilo que me fascina no cinema: sutilezas, poucas e eficientes firulas técnicas e uma boa história bem contada. Não é preciso muito para fazer um bom filme. Os personagens são muito cativantes e dá para se identificar com vários dos seus pensamentos, até com a mudança deles conforme os anos se passam. O roteiro é não-expositivo, o espectador vai sabendo na hora certa cada informação necessária, nada é entregue de uma vez só. Mas, antes de tudo, esse é um romance real, sem floreios nem cenas bonitinhas e desnecessárias. O equilíbrio é perfeito.

Como sou fã de histórias de origem acho que meu favorito é o primeiro filme, mas é difícil dizer, todos são muito bons. Se você gosta de filmes do gênero, é bem capaz de você se apaixonar como eu. As horas passam voando e dá vontade de prender a Celine e o Jesse àquele momento, para que eles nunca mais deixem você. Quando questionado sobre uma sequência de Antes da Meia Noite, Richard Linklater disse que podia pensar sobre o assunto dentro de alguns anos. Os fãs ficam na espera.

Crystal Ribeiro


Antes do Amanhecer (Before Sunrise)
Ano: 1995
Direção: Richard Linklater
Roteiro: Richard Linklater, Kim Krizan
Elenco: Ethan Hawk, Julie Delpy
Nota: 5 estrelinhas

Antes do Pôr do Sol (Before Sunset)
Ano: 2004
Direção: Richard Linklater
Roteiro: Richard Linklater, Kim Krizan, Ethan Hawk, Julie Delpy
Elenco: Ethan Hawk, Julie Delpy
Nota: 5 estrelinhas

Antes da Meia-Noite (Before Midnight)
Ano: 2013
Direção: Richard Linklater
Roteiro: Richard Linklater, Ethan Hawk, Julie Delpy
Elenco: Ethan Hawk, Julie Delpy, Seamus Davey-Fitzpatrick, Ariane Labed, Athina Rachel Tsangari
Nota: 5 estrelinhas