Resenha: ‘Dias Perfeitos’ (2014), de Raphael Montes

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Imagem: Book Addicted

Já fazia algum tempo que eu não lia nada escrito por brasileiros quando Dias Perfeitos (2014) caiu em minhas mãos. O que mais me chamou atenção foi a idade do autor: Raphael Montes tinha apenas 24 anos quando seu livro foi lançado. Considerando que o mercado editorial brasileiro continua sendo extremamente fechado para livros escritos pelos próprios brasileiros (é até comum hoje em dia autores nacionais fazerem sucesso sendo lançados por editoras de outros países e apenas depois disso receberem propostas de publicação por aqui), que fiquei um tanto abismada de ver uma pessoa tão jovem ter seu livro publicado por uma editora importante, a Companhia das Letras, e também ter ganhado dois prêmios em solo nacional, além de ter feito sucesso entre os jovens na época. É extremamente animador ver um menino de 24 anos fazendo literatura de gênero no Brasil e sendo reconhecido por isso. Claro que a minha curiosidade foi a mil.

Dias Perfeitos (2014) é o segundo romance de Raphael. Trata-se de um suspense psicológico que tem como protagonista o estudante de medicina Téo, um garoto solitário, um tanto excêntrico, que divide seu tempo entre cuidar da mãe, que ficou paraplégica em um acidente de carro, e dissecar cadáveres na aula de anatomia. Logo no início do livro, Téo conhece Clarice, uma jovem de espírito livre, aspirante à roteirista, que deixa Téo completamente fascinado. Ele vai inventando situações para ficar perto dela, descobre onde estuda, onde mora, com quem anda e aos poucos começa a se tornar completamente obcecado por ela. Clarice até que gostou de provocar a imaginação dele no começo, mas certamente não esperava que o “amor” de Téo iria tão longe.

Devo confessar que sair de Ian McEwan e ir para Raphael Montes foi decepcionante. Enquanto o primeiro gastava páginas e mais páginas descrevendo situações, lugares, nos colocando dentro da cabeça dos personagens e cada vez mais nos envolvendo na história, o segundo não usava mais do que dois parágrafos para mostrar as intenções e o que os personagens faziam. Enquanto eu queria minúcias da mente insana de Téo, os detalhes dos planos mirabolantes e descrições das mudanças assustadoras do seu comportamento, eu tinha que me contentar com algumas frases diretas, tudo bem raso. Téo e Clarice se conhecem logo de cara, sem que antes houvesse muita imersão na história. Tudo acontece muito de repente, Téo que primeiro acha Clarisse estranha e não muito bonita logo cai de amores por ela e essa mudança de perspectiva não é descrita aos poucos, acontece muito abruptamente, o que me incomodou bastante.

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Imagem: Roteiros Literários

Quando esse tipo de coisa acontece no início da história é complicado porque o ideal é que o leitor vá aos poucos entrando na mente dos personagens, sabendo o que eles pensam e como agem. O primeiro capítulo é todo destinado a isso: Téo na faculdade, no laboratório que tanto gosta, disseca sua “amiga” Gertrudes e compartilha um pouco da sua personalidade. Mas não foi o suficiente. Raphael vai pegando o ritmo da escrita, mas quando consegue logo volta a perder com cenas repetitivas e sem diálogos muito interessantes ou envolventes. Levando em consideração que Dias Perfeitos é um suspense, a falta da criação de um clímax na maior parte da história, menos pelas ações dos personagens e mais pela construção da cena como seria o ideal, deixa uma sensação de frustração na escrita de Raphael. É possível ver que existem muitas possibilidades e potencial na narrativa, mas que o autor ainda não conseguiu aproveitar do melhor jeito possível.

Menos grave que a forma de escrever, mas ainda assim algo que não consegui deixar passar, foi a personalidade e desenvolvimento dos personagens. Para mim o caso mais gritante foi o de Clarice, que é uma enxurrada de clichês: garota rica, bonita, pequenininha, com cara de anjo e ao mesmo tempo bebe, fuma, é desbocada e despudorada. Ele não poderia ter criado uma protagonista mais óbvia. Nem o fato de ela gostar de cinema e estar escrevendo um roteiro a faz um pouco mais interessante. Eu esperava uma garota totalmente diferente, uma esquisitona meio excluída, que aos olhos do mundo não seja nada demais, mas que para o protagonista é completamente fascinante. Talvez este também seja um clichê, mas o tipo da Clarice não me agradou. Foi muito mais fácil desse jeito torcer para que Téo conseguisse o que queria. Eu me pegava comemorando a vitória dos seus planos e ficava irritada toda vez que alguém entrava no seu caminho. Como os personagens secundários eram irrelevantes, nada conseguiu impedir que eu torcesse pelo psicopata.

Em relação ao enredo, mesmo que por vezes eu ficasse incrédula sobre os desdobramentos da história, não encrenquei muito, afinal conforme vai chegando perto do fim, o ritmo acelera e é impossível não querer saber o que vai rolar em seguida. Então chegou um ponto no livro em que eu pensei comigo mesma: “Se esse cara escreve bem de verdade, agora é a hora de saber”. Existiam algumas opções para o desfecho da história. Não sou de perder muito tempo imaginando o final, prefiro ler logo e saber o que acontece, mas perdi uns cinco minutos imaginando que saídas Raphael usaria para que ninguém se esquecesse do final dessa história bem imperfeita. No fim, ele foi exatamente no meu palpite: a saída mais fácil e tosca que poderia acontecer. Mesmo tendo rido alto, fiquei triste (de novo) com a forma como o autor escolheu terminar a história, mesmo tendo gostado do rumo, a saída foi de dar pena, um recurso que chega a ser amador.

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Imagem: Cooltural

Dias Perfeitos não foi a pior nem a melhor experiência que tive no ano. Gostei de ter me divertido com a leitura e de Raphael ter conseguido me prender a ela, principalmente já no final. O que não gostei foi de ter me frustrado com todo esse alarde feito em torno do escritor e de sua obra. É verdade que Raphael Montes tem potencial (é nítido isso durante o livro) e que se pode aguardar grandes trabalhos dele ainda, mas Dias Perfeitos está longe de ser um deles. Não li seu primeiro lançamento, Suicidas (2012), que ganhou os prêmios citados na orelha do segundo, mas fiquei muito curiosa. Só depois dele é que vou conseguir entender de onde vem o estardalhaço. Apesar de tudo, me deixa contente ver o nome de um brasileiro em tantas estantes ao redor do país, ainda mais sendo literatura de gênero para jovens. Mesmo que mal executada, a iniciativa já merece aplausos.

Crystal Ribeiro

Favoritos #6: Outubro

Outubro foi um mês que serviu de preparação para o desespero em que estou agora. Fins de período sempre me deixam assim, mas esse está superando todos os limites. Foi por isso que o Favoritos demorou a sair, a vida está uma loucura. Em compensação, outubro veio recheado de coisas maravilhosas. Espero que gostem das indicações:

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  • Maxton 7.43

Meu mês começou cheio de dúvidas. Logo no início, comecei a ficar um pouco insatisfeita com o tom do meu cabelo, não que ele estivesse feio, mas porque estava morrendo de vontade de mudar. Eu sou daquelas que frequentemente enjoa das coisas, não acontece sempre, mas sou fui muito fã de mudanças. Apesar disso, há quase três anos estava usando o mesmo tom de ruivo (Igora 7.77) e nunca nem sonhava em mudar, mesmo que a cada dois meses eu gastasse uma pequena fortuna no retoque. Então eu aliei o fato de querer um tom mais discreto (a Igora deixa o tom bem acesso) à falta de vontade de gastar tanto no cabelo para decidir de uma vez por todas que deveria mudar.

Minha mãe me incentivou e no dia seguinte eu já estava indo na loja comprar outra tinta. Sempre tive muita vontade de saber se a nova coleção de ruivos da Maxton, além de superbarata, era boa. Foi então que eu pintei e me apaixonei pela cor. Ficou mais clarinha, muito provavelmente por causa da ox de 30 que veio na embalagem sendo que meu cabelo já é bem claro pelas outras colorações. Não ficou exatamente um tom fechado do jeito que eu queria, mas acho que foi muito melhor assim. Aproveitei e inclui as sobrancelhas no combo. Nunca pintei porque nunca achei necessário, mas como eu queria mudar a cara inteira não podia ter feito coisa melhor. Foi muito bom me sentir diferente desde outubro passando quando deixei o cabelo longo pelo long bob.

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  • Flats

Essas flats eu ganhei em novembro passado e o tanto que eu andei com ela pagou o preço de todos os sapatos que eu tive nos últimos dez anos (a Bottero está de parabéns). É inexplicável o quanto esse modelo é apaixonante, principalmente no verão que foi a época em que eu mais usei, ele combina com qualquer coisa. Não sei se posso afirmar que o nome de verdade do modelo é flat, mas como flats são sapatilhas com amarração eu gosto de chamar ela assim. Essa semana a usei pela última vez, porque o solado rasgou e uma tira se desprendeu. Já estou me planejando para comprar um modelo parecido agora no fim do ano, não consigo mais viver sem elas.

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  • Desodorante Johnson’s

Desde que comecei a usar desodorantes nunca tive um favorito, eles nunca funcionavam totalmente para mim. Costumava gostar muito de aerosóis, mas perdi o hábito para voltar ao roll on. Não sei explicar muito bem porquê. Quando esses desodorantes da Johnson’s foram lançados eu não acreditei nada que eles segurassem a transpiração, “é igual a todos os outros”, eu dizia. Até que eu vi a Karol Pinheiro colocando ele em um dos seus Favoritos do mês. Eu fiquei totalmente perplexa de ver logo esse desodorante lá na lista. E foi exatamente depois desse vídeo que, assim que o que eu estava usando acabou, eu sai correndo para testar. E não é que ele é maravilhoso? Ainda estou esperando para ver se agora no verão ele é tudo isso, mas esse já é o meu segundo frasco e eu nem sonho em trocar. É incrível. Não sei se é exatamente estranho recomendar um desodorante, mas enfim. Aprovadíssimo.

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  • Livros

Apesar da doideira completa de outubro, de eu estar totalmente desmaiada no fim do dia e coberta de trabalhos para fazer nos fins de semana, esse foi o mês que eu definitivamente retomei o meu hábito de leitura. Esse ano inteiro, na verdade, o que eu fiz foi ler um livro aqui e outro ali, começar a reler alguns livros e depois deixar para lá. Foi a leitura de Reparação (2001), do Ian McEwan, que me trouxe de volta a esse universo da literatura, me fez voltar a me apaixonar por falar de livros, ver vídeos no YouTube, ler resenhas e tal. E eu engatei uma leitura atrás da outra (foram 3 livros nesse intervalo de outubro para novembro). Foi uma coisa bastante especial para mim.

Reparação foi, até agora, meu livro favorito do ano inteiro. Durante o período em que eu estava lendo, meu dia se dividia em dois momentos: o primeiro era quando eu lia durante o percurso entre a minha casa e o estágio; o segundo era quando eu lia no ônibus voltando para casa no fim do dia. Eu ansiava tanto por esses dois momentos que era inexplicável. Era a maior felicidade do mundo para mim. Continuou assim depois que eu finalizei ele, dois livros depois eu ainda estou amando me deslocar por aí lendo. As resenhas dos dois livros seguintes estão vindo, mas já tem resenha completa de Reparação e a sua adaptação para o cinema, Desejo e Reparação (2007) , aqui no Flamingos.

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Imagem: Pitanga Digital
  • Drive (2011), de Nicholas Winding Refn

Eu já tinha assistido Drive (2011) na época em que ele tinha sido lançado, em 2011. Eu lembro que não gostei muito, a história era legal, mas ele não tinha muita coisa de interessante. Além de ser estrelado pelo Ryan Gosling e pela Carey Mulligan, dois atores que eu adoro. Foi aí que, depois de alguns anos parado na estante, eu resolvi dar uma segunda chance para ele. E não foi que eu me apaixonei? Veio aquela sensação que dá quando o filme é muito bom, eu não quero que ele acabe nunca.

Esse intervalo de tempo foi essencial para que eu adquirisse mais conhecimento de cinema e entendesse, pelo menos um pouco, o quanto aquele filme é incrível, tecnicamente falando. Não à toa, ele foi indicado ao Oscar de Melhor Edição de Som. É impressionante o que eles fazem aqui. Eu ainda não consigo notar esse tipo de coisa, mas nesse filme é impossível não perceber o quanto eles trabalharam na edição do som. Isso fora direção de arte, direção, trilha sonora. Um autêntico filme noir anos 1980 em pleno século XXI.

  • Volume 3 – She & Him

No meu rodízio de sempre, voltei a escutar She & Him. Para quem não conhece, esse é um duo musical de folk formado pela atriz Zooey Deschanel e o músico M. Ward. Todos os álbuns têm uma pegada meio vintage, fofa, é uma delícia de escutar. Esse mês fiquei viciada no Volume 3, o trabalho mais recente deles. Lembro bem quando eu estava no fim do ensino médio e ficava escutando no carro indo para a aula. Foi minha trilha sonora dessa época, então ainda é bem nostálgico para mim.

 

Crystal Ribeiro

Crítica: ‘Desejo e Reparação’ (2007)

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Imagem: Pinterest

Para mim, Desejo e Reparação (2007) foi um daqueles filmes que não se esquece. Martelou na minha cabeça por bastante tempo, tempo suficiente para que eu resolvesse ler o livro do qual ele foi adaptado, Reparação (2001) do escritor Ian McEwan, que já tem resenha aqui no blog. O fato de ter assistido antes não atrapalhou a leitura, a força da narrativa é tão grande que o fato de você já saber como a história termina só aumenta a angústia durante todo o tempo em que você está lendo. Eu nunca fui de ligar muito para ler o livro depois de assistir ao filme. Algumas semanas atrás, logo depois de ter concluído o livro, fui correndo assistir a adaptação outra vez e saber se o diretor Joe Wright tinha conseguido passar todo aquele encantamento para a tela.

Protagonizada pela jovem de 13 anos Briony Tallis, a caçula de uma rica família inglesa, Reparação conta o que se passou num dos mais quentes dias do verão de 1935, na Inglaterra, enquanto a família Tallis está passando as férias em sua casa de campo. Cecília, irmã mais velha de Briony, é quem protagoniza a cena que dá início à série de mal-entendidos que culminará no grande crime da menina, que vai afetar todas as pessoas da casa. Briony vê através de uma janela, Robbie, filho da empregada e amigo da família, obrigar Cecília a mergulhar quase nua dentro da fonte do jardim. Mas esse e outros eventos que a menina vai presenciando não são apenas contados pela visão dela, assim é possível entender a situação de vários modos diferentes. Apesar disso, a trama não perde o mistério de uma grande questão que o livro apresenta e nem tira o prazer da surpresa que o leitor tem ao se encaminhar para o final da história.

Para mais detalhes sobre o enredo, clique aqui.

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Imagem: Adoro Cinema

Em termos de fidelidade ao livro, Desejo e Reparação não faz feio. Fora algumas adaptações, principalmente no final para que o livro fosse melhor passado para a tela, não tem como negar que é incrivelmente fiel à obra de McEwan. O que mais me impressionou foram os detalhes apontados no livro sobre a rotina e personalidade dos personagens, como o vestido da Cecília ou os animais de brinquedo organizados pela Briony, muitos deles estão presentes no filme e para o leitor isso é muito legal. A distribuição da história em quatro partes também está lá, tal qual o livro. Mas infelizmente nem tudo foi uma maravilha em termos de adaptação. Eu não sei se algum diretor no mundo conseguiria um dia trazer aquela mesma força e complexidade que o romance carrega. Acredito que seja impossível, um livro é uma forma diferente de arte e por mais fiel que a história e os detalhes sejam, nunca um será exatamente igual ao outro. Quem gostou da leitura não pode decepcionar com o filme e quem chegou primeiro ao filme, assim como eu, também pode se apaixonar pela história.

A boa notícia é que Desejo e Reparação se basta sozinho. Sem a leitura do livro ele continua sendo um trabalho muito honesto, sensível, muito bonito de se assistir. A impressão é que Joe Wright conhece muito bem seus personagens e sabe exatamente o que fazer para destacá-los em cada cena. Como acontecem muitas coisas na história, não sobra muito tempo para uma cena contemplativa ou algo do tipo, é um filme bem ágil, não tanto de palavras, mas de ações, os personagens estão sempre fazendo alguma coisa. A fotografia é muito bonita, as primeiras cenas têm uma atmosfera que passa bem a languidez e o calor daquele dia quente, em seguida ela começa a se tornar cada vez mais obscura e acusadora. Existe uma urgência na condução da história, um ritmo um tanto apressado que eu gostaria que tivesse sido mais demorado. No entanto, é esse ritmo, sobretudo na primeira parte, que torna ainda mais sufocante a sucessão dos acontecimentos e que culmina no gran finale.

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Imagem: Cinema, Sal e Tequila

Algumas escolhas da edição, tanto nas cenas quanto na trilha sonora foram muito bem sacadas. A primeira é que toda vez que Briony, a grande protagonista, estava fazendo uma confissão ou refletindo sobre o que disse ter visto, o fundo do cômodo em que ela estava desaparecida, ao seu redor a tela ficava completamente negra o que ajudou a aumentar a tensão do espectador e refletir sua culpa, esteja ela consciente ou não, do que havia feito. Nessas cenas, também em várias outras, quando algo estava sendo confessado, a trilha sonora incorporava o som das teclas da máquina de escrever de Briony, que estavam sempre ávidas para escrever a fantasia e a realidade em suas histórias.

O elenco é estrelado. Se nem todos os atores, todos ingleses, eram muito conhecidos na época, hoje em dia isso não pode mais ser dito. Além da Keira Knightley (Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra, Orgulho e Preconceito) como Cecília, também temos James McAvoy (X-Men: Primeira Classe, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido) como Robbie, Benedict Cumberbatch (Sherlock, Além da Escuridão: Star Trek) como o empresário Robbie Marshall e Saiorse Ronan (Além do Paraíso, Brooklyn) como Briony. Queria destacar a interpretação da Soirse, mesmo sendo tão nova durante durante o filme ela atuou com muita segurança, foi um ótimo desempenho. Pelo trabalho, Saiorse recebeu sua primeira indicação ao Oscar, como Atriz Coadjuvante.

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Imagem: Alchetron

Desejo e Reparação não é apenas a adaptação do livro de Ian McEwan, é um filme sobre amor, ressentimento, mentiras, amadurecimento e tentar reparar um erro. Uma história melancólica que faz com que o espectador se agarre na ponta do último fio de esperança possível, quando se está perdido sem entender como as coisas foram chegar naquele ponto. Repleto de muitas qualidades técnicas, Desejo e Reparação emociona e envolve de uma forma bem particular. É impossível assistir de novo sem torcer muito para que, de algum jeito mágico, a história tenha mudado e o final seja outro. Tanto na ficção quanto na realidade, a esperança nunca se acaba.

Crystal Ribeiro