Minha playlist de músicas para ouvir pela manhã

Tirando alguns poucos dias por ano, eu sou do tipo que acorda e fica com cara fechada, sem querer falar com ninguém. Para mim as manhãs precisam ser calmas, reflexivas, para fazer coisas aconchegantes e relaxantes (quando eu posso). E a música desse horário precisa combinar com esse meu estado de espírito, precisa ser ouvida baixinha para que aos poucos me dê ânimo para começar a segunda parte do dia.

Então nada daquelas músicas “para pular da cama”. Essa playlist que eu trouxe hoje aqui para o Flamingos é para quem gosta de ficar quietinho na sua de manhã cedo. Dá uma olhada no que eu escuto nesse horário.

Crystal Ribeiro

Oscar 2017: Melhor Filme e Diretor

Este é o último post do especial Oscar 2017 aqui no Flamingos, porque, afinal, a cerimônia de entrega do Oscar já é nesse domingo (26). Eu já estou preparando a pipoca, e você? Mas ainda resta falar um pouco sobre as últimas e mais esperadas categorias do prêmio. Vamos a elas.

MELHOR DIRETOR

Certamente esta é uma das categorias mais concorridas do ano, se não a mais. O trabalho de cada um dos diretores indicados é soberbo, é aquele momento em que a Academia vai escolher o que errou menos, porque infelizmente é preciso dar o prêmio a um só. Os números indicam uma tendência e é provável que não existam surpresas por aqui.

O indicados são:

  • BARRY JENKINS, POR MOONLIGHT
  • DAMIEN CHAZELLE, POR LA LA LAND
  • KENNETH LONERGAN, POR MANCHESTER BY THE SEA (MANCHESTER À BEIRA-MAR)
  • MEL GIBSON, POR HACKSAW RIDGE (ATÉ O ÚLTIMO HOMEM)
  • DENIS VILLENEUVE, POR A CHEGADA

Dos caras da lista, foi Mel Gibson o que mais me surpreendeu. Não sou grande conhecedora do seu trabalho em Hollywood, mas sabendo que ele se especializou em filmes com a violência e brutalidade de Coração Valente, achava difícil que sua direção em um filme de guerra dirigido por ele pudesse me encantar. E eu não poderia estar mais errada.

Pode ter sido um pouco da pieguice de Hacksaw Ridge, mas Mel Gibson conseguiu que eu me emocionasse muito em um filme de guerra e eu não lembro de ter acontecido isso alguma outra vez. A estrutura pede por isso, primeiro conhecemos todo o passado do Tenente Doss, simpatizamos com ele e com suas crenças e depois que ele é mandado para guerra sofremos em cada situação difícil que ele passa.

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Mel Gibson em Hacksaw Ridge

Foi uma indicação inesperada, Denzel Washington poderia tranquilamente preencher essa vaga, mas fez jus ao trabalho do diretor. Apesar disso, ele não desponta entre os favoritos.

Denis Villeneuve é um dos diretores que mais vem surpreendendo Hollywood nos últimos tempos. Eu sou muito fã do trabalho que ele fez em Os Suspeitos, com Hugh Jackman, Jake Gyllenhal e Paul Dano e ele não decepciona em A Chegada. É difícil pensar em qualquer diretor que faça um trabalho tão denso e delicado quanto o que ele fez aqui. A atmosfera do filme é perfeita, transcende qualquer clichê inventado para filmes desse tipo.

Infelizmente, os outros indicados passam na frente pela grande campanha que foi feita de seus filmes, mas A Chegada não perde em qualidade para nenhum dos concorrentes da lista.

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Denis Villeneuve em A Chegada

Correndo um tanto por fora, Kenneth Lonergan tem, talvez, um dos trabalhos mais árduos de direção entre os indicados, o de conduzir uma história com um protagonista não muito simpático e que anda às voltas com dores que ele não consegue suportar. Manchester by The Sea é um filme bem pesado, por vezes arrastado, que incomoda, mas que revela um trabalho muito sensível por parte de Kenneth, que faz as escolhas certas e consegue captar a essência da alma machuca de seu protagonista.

A direção de Barry Jenkins em Moonlight é pura sensibilidade, tanto ao tratar a história e seus personagens quanto como eles, suas ações e sentimentos, são passados para a tela. É um dos trabalhos de direção mais lindos dos últimos tempos, ele conduz o filme de forma a mostrar o íntimo de seus personagens através de olhares e gestos, sem muito estardalhaço e frases desnecessárias. É uma direção no ponto, nada a tirar nem por.

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Damien Chazelle em La La Land

Já Damien Chazelle é todo poesia e encantamento em La La Land, o queridinho do ano. Depois de despontar com Whiplash duas edições atrás, todos ficaram esperando a próxima genialidade de Damien. E ele conseguiu. O musical é um sopro de luz e alegria diante de tanto drama que acontece no nosso dia a dia. É impossível não se impressionar com as sequências de dança e canto do longa, que consegue se inspirar em vários antigos musicais e ainda ser originalíssimo.

Damien deve levar a estatueta, mas a minha atenção ficou dividida entre ele e o Barry Jenkins. Qualquer um dos dois saindo vencedor já me deixaria muito feliz.

MELHOR FILME

A última categoria da noite, a mais aguardada e quem todos vão comentar no dia seguinte do café da manhã ao jantar.

Estes são os filmes que disputam a categoria de Melhor Filme:

  • LA LA LAND
  • HELL OR HIGH WATER (A QUALQUER CUSTO)
  • HIDDEN FIGURES (ESTRELAS ALÉM DO TEMPO)
  • FENCES (UM LIMITE ENTRE NÓS)
  • A CHEGADA
  • LION
  • HACKSAW RIDGE
  • MANCHESTER BY THE SEA
  • MOONLIGHT

Eu falei no começo dessa série que a minha parte preferida do Oscar era o começo da cerimônia quando todos os filmes são apresentados num miniclipe que mostra a quantidade enorme de temas, personagens e aventuras que é possível viver enquanto se assiste cada um deles. Esses últimos meses de preparação para o Oscar foi exatamente isso, me aventurei com as histórias mais maravilhosas que eu podia imaginar.

Chorei, ri, me apaixonei, fiquei tensa, tomei sustos, me surpreendi, me encantei, fiquei com raiva e torci muito para que as coisas se resolvessem no final. O que nem sempre acontecia.

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La La Land

La La Land e Moonlight, meus eternos preferidos, foram pura poesia. Me encantei com as cores, com a ternura dos sentimentos, com todo o amor que transbordava pela tela. Já em Lion e Hacksaw Ridge eu fiquei com o coração na mão pela vida de duas pessoas que eu nem conhecia, duas pessoas que eu descobri que existiam de verdade. Eu chorei, copiosamente até, esperando que o primeiro fosse resgatado e que o segundo tivesse suas crenças respeitadas. Não foi nada fácil assistir isso.

Em Manchester by The Sea eu fiquei tentando desvendar os sentimentos e a dor de um homem que não estava nem aí para a sua vida. Em Hell or High Water eu me vi dividida entre os dois cowboys e os dois policiais, me colocava no lugar de cada um dos personagens e tentava entender o que eu faria naquela situação. Hidden Figures foi extremamente divertido, mas cada uma das situações em que aquelas mulheres sofriam preconceito me deixava perplexa.

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Hell or High Water

Do mesmo jeito que aconteceu em Fences, eu não suportei assistir a hipocrisia do marido da Rose sem pensar que tantas mulheres passam por esta mesma situação. Já A Chegada me fez dar uma chance aos sci-fi depois de um longo hiatus deles na minha vida e perceber o que Hollywood pode fazer grandes reinvenções do gênero, o que é maravilhoso.

No fim das contas, foi uma temporada incrível, me surpreendi porque acho que vários desses filmes podem vão ser levados para minha vida pós-Oscar. Fico feliz também porque sinto que os integrantes da Academia vão ceder um pouquinho e transformar um musical (veja só!) no principal ganhador da noite. Porque o amor não pode levar uma estatueta? Minha torcida está dividida entre La La Land e Moonlight e acho difícil que outro consiga ganhar. Manchester corre por fora, mas é La La Land quem vai brilhar no domingo.

Crystal Ribeiro

 

Oscar 2017: Melhor Ator e Atriz

Arrisco dizer que as categorias Melhor Ator e Atriz esse ano são as mais emocionantes e disputadas. Existem favoritos, mas existem concorrentes muito fortes, o que me leva a ficar bastante insegura com as minhas apostas. Mas posso garantir que erros e acertos é o que menos importa no fim das contas, divertido mesmo é assistir a atuação de cada um dos indicados em seus longas. Estão aqui reunidos os melhores filmes da temporada.

MELHOR ATOR

Quando parece que tudo está decidido para o vencedor, vem o Denzel Wanshington e leva o prêmio no Screen Actors por seu desempenho e a gente fica perdido sem saber o que pensar. É um troféu que tem muito peso para se tirar o vencedor do Oscar, afinal a tendência é que o vencedor do Screen leve também o prêmio da Academia. Será que isso vai acontecer?

Vamos aos indicados:

  • CASEY AFFLECK, POR MANCHESTER BY THE SEA
  • DENZEL WASHINGTON, POR FENCES (UM LIMITE ENTRE NÓS)
  • ANDREW GARFIELD, POR HACKSAW RIDGE (ATÉ O ÚLTIMO HOMEM)
  • VIGGO MORTENSEN, POR CAPITÃO FANTÁSTICO
  • RYAN GOSLING, POR LA LA LAND

Já falei nesse post aqui o quanto amei Capitão Fantástico. É um drama com ares de comédia que além de trazer uma história deliciosa, oferece excelentes atuações tanto do Viggo quanto das crianças que interpretam seus filhos em cena. O filme é uma experiência solar e muito divertida, e Viggo Mortensen mostra porque é um dos atores mais carismáticos e populares da nossa época.

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Viggo Mortensen em Capitão Fantástico

Sua atuação é doce e ao mesmo tempo forte, segura e muito sincera. Dentre os indicados, seu personagem foi o que mais me cativou, tenho um carinho enorme pelo Ben, um homem que se dedica inteiramente a cuidar bem de seus filhos. Não vou negar, é para ele que estou torcendo.

Assim como Viggo, Ryan Gosling é o segundo indicado a correr por fora nas indicações. Sua presença em La La Land demonstra entrega total, ele teve que se dedicar intensamente em aulas para poder passar segurança como um excelente pianista, além de ter que dançar e cantar em cena. A força de seu personagem não é tão grande quanto o de sua dupla, Emma Stone, mas não há dúvidas de que ele foi excelente. Se alguma das 14 indicações que o filme tem no Oscar é dada como perdida, essa é uma delas, porque existem outros mais fortes na disputa.

Minha maior surpresa entre os filmes indicados na categoria foi com Hacksaw Ridge, um longa dirigido pelo Mel Gibson que conta a história real de um homem que foi para a guerra como um paramédico, mas, fiel a seus princípios, jurou nunca matar. Nessa ocasião, o Sargento Doss arriscou a vida para salvar mais de 75 soldados feridos, prestando um magnífico serviço ao seu país.

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Andrew Garfield em Hacksaw Ridge

Mesmo com algumas doses incômodas de melodrama e frases de efeito, Hacksaw Ridge é um dos melhores filmes do ano, com certeza um dos que mais me emocionou. A história é sensacional e pareceu que Andrew Garfield era a única escolha possível para o personagem, o que contribuiu e muito para o sucesso do longa. Ele está soberbo, passa uma autenticidade e força muito comoventes. A indicação foi extremamente acertada.

Denzel é o segundo favorito à estatueta. Seu personagem é como uma injeção de adrenalina que dura todo filme, ele já está familiarizado com o papel (recebeu um Tony por sua interpretação na peça) o que contribui com toda a sua segurança e ajuda a colocar o público em suas mãos. Troy não é um homem ruim, mas quando se trata da forma como ele lida com sua família é impossível não sentir raiva de suas ações.

É um desempenho visceral, digno de aplausos, o que totalmente justificaria se ele ganhasse o prêmio. O que talvez não aconteça já que Casey Affleck é favorito na disputa.

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Casey Affleck em Manchester by The Sea

Eu não conhecia o trabalho de Casey até Manchester by The Sea. Ao contrário do irmão Ben, Casey Affleck dá um incrível espetáculo no filme. Taciturno, calado, cheio de culpa e remorso, sem conseguir se perdoar por um erro que cometeu e não dando a mínima para o pensamento de ninguém. É assim que ele aparece em cena, num personagem que não passa muita empatia, mas que quando descobrimos os motivos que o deixaram nesse estado, aos poucos vamos aprendendo a olhar para ele com outros olhos.

Casey é o provável vencedor, Oscar mais que merecido. O palpite alterna para o Denzel Washington, mas minha torcida é toda para o Viggo Mortensen.

MELHOR ATRIZ

A decisão aqui também é difícil. A exceção de uma, as interpretações são extremamente tocantes, completamente diferentes uma da outra, mas todas fruto do trabalho de atrizes, se não consagradas, prestes a se tornar depois do desempenho maravilhoso desse ano.

São elas:

  • RUTH NEGGA, POR LOVING
  • EMMA STONE, POR LA LA LAND
  • NATALIE PORTMAN, POR JACKIE
  • ISABELLE HUPPERT, POR ELLE
  • MERYL STREEP, POR FLORENCE: QUEM É ESSA MULHER?

É um equívoco, para não dizer outra coisa, a indicação da Meryl Streep como Melhor Atriz do ano. Não que seu trabalho em Florence seja ruim, pelo contrário, mas é totalmente estranho indicá-la na categoria por um papel que tem tão pouco destaque dentre tantos outros que já interpretou. Apenas porque ela é Meryl Streep e precisava aumentar o recorde de atriz indicada mais vezes na história do Oscar (20 vezes agora). Muito triste que ela tenha tomado o lugar da Amy Adams que estava maravilhosa em A Chegada.

Mildred Loving foi o papel que levou Ruth Negga ao estrelato, até então a iraniana era pouquíssimo conhecida em Hollywood. Seu desempenho em Loving demonstra que sua carreira é muito promissora. Dona dos melhores vestidos das cerimônias até agora, Ruth está encantadora no longa, que teve sua única indicação ao prêmio nessa categoria. É uma atuação cheia de dor e indignação, mas ao mesmo tempo doce e, diria, muito elegante. A personagem mais delicada e importante, por seu significado, da premiação.

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Emma Stone em La La Land

Não há dúvidas de que Emma Stone é a estrela absoluta de La La Land. O musical, que é uma homenagem fantástica aos antigos musicais e filmes de Hollywood, a todo esse clima de magia e de sonho que a cidade de Los Angeles abriga, já demonstra ser um futuro clássico do gênero. Talvez seja um pouco cedo para afirmar isso, mas o fato de musicais não serem realizados na mesma quantidade e com tanta pompa quanto antigamente já o faz uma referência quando, futuramente, as pessoas forem olhar para trás.

O desempenho de Emma Stone no filme é a força que conduz o espectador a se encantar ainda mais pela história, nos identificamos com sua falta de sorte, com sua oportunidade que parece que nunca chega, com o sonho que ela faz de tudo para realizar. Não consigo enxergar mais ninguém que desempenharia o papel com tanta verdade e paixão. É realmente um filme para sonhadores e Emma é um deles.

Natalie Portman, no início da temporada, surgiu como a maior favorita à Melhor Atriz, mas depois veio caindo na ordem dos palpites, mais por favoritismo do que por rejeição ao seu desempenho. Em Jackie ela interpreta Jaqueline Kennedy, vivendo os dias após o assassinato de seu marido, o presidente dos Estados Unidos. É uma personagem intensa e ao mesmo tempo vulnerável, o que Natalie consegue fazer de modo excepcional. Carregada de luto, ela dá sua primeira entrevista oficial a um repórter, onde mostra sua personalidade durona e muitas vezes traída pela dor de perder o homem que ama.

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Natalie Portman em Jackie

É muito triste ver as pessoas a sua volta tomando decisões diplomáticas, ignorando sua tristeza. Além de lutar pela memória do marido, ela precisa manter a postura de alguns protocolos quando na verdade só quer passar por tudo isso bem rápido. Cinco estrelinhas para Natalie, que está tão bem em Jackie quanto na época em que levou a estatueta por Cisne Negro. Aquele sim ninguém lhe tirava.

Já se tornou cansativo falar isso, mas Isabelle Huppert está maravilhosa em Elle. Considerada a Meryl Streep da França, é Isabelle quem interpreta a personagem mais fascinante da categoria. Há quem ache que sua personagem, Michèle, é vista pelos olhos de um homem (o que não deixa de ser verdade), o que a faz perder parte do viés feminista e que torna suas ações diversas das que seriam comuns a qualquer mulher em sua situação.

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Isabelle Huppert em Elle

Eu não consigo concordar. Nem com as opiniões das pessoas que falam isso, mas também nem com as atitudes da Michèle. Ela é completamente louca, com certeza é uma das personagens mais “fora da caixa” que eu já vi, mas é isso que a torna maravilhosa.

Ela é imprevisível, não corresponde às expectativas do quem assiste, mas é uma mulher forte, decidida e que quer ter o controle da própria vida sem se vitimizar, mesmo que não gostemos dos meios que ela encontra para isso.

Minha torcida tende muito para o lado da Isabelle, porém acredito que ela seja a segunda no páreo, não me canso de elogiar seu desempenho, mas Emma Stone também é uma favorita, e provavelmente a vencedora. A essas alturas, Natalie é quem seria a zebra.

Crystal Ribeiro