Sobre pressão, futuro e autoconhecimento

Tem tantas coisas que eu gostaria de falar nesse post. Quantas vezes fiquei em frente ao teclado pensando nas palavras certas para colocar aqui e não conseguia me decidir. Tem tanta coisa acontecendo, minha cabeça anda tão louca nos últimos meses que é difícil expressar em palavras o que se passa nela. Eu queria falar como, durante esse tempo, estou sentindo uma parte da minha vida perder o controle diante dos meus olhos. Queria dizer o quanto estou duvidando do meu investimento, por vezes integral, nessa parte, e o quanto sinto que esse investimento está se virando contra mim hoje. Queria dizer o quanto perder o controle me apavora, que o futuro nunca esteve tão indefinido e que isso me pressiona de um jeito maior do que eu gostaria.

Meu momento é confuso, estou tendo que encarar vários medos que me davam arrepios só de pensar que poderiam, algum dia, vir na minha direção. Eu queria ser capaz de enfrentar isso melhor do que estou fazendo, queria ser forte o suficiente para contornar essa sensação de querer que tudo volte a ficar sob o controle das minhas mãos. Porque a vida não é assim. Por mais que me doa e me apavore, o futuro, agora mais do que nunca, é uma caixinha de surpresas. Ter que tomar decisões fora do roteiro de uma hora para outra e realmente começar a viver sem a certeza do próximo passo a dar é aterrorizante.

Eu gostaria de não fazer nada, não ter que enfrentar toda essa incerteza que me acometeu de uma hora para outra. “O tempo passa, a vida corre”, eu ouvi durante toda a minha vida. Viva intensamente, não deixe para depois, corra agora atrás do que você quer, o sucesso começa com decisões tomadas hoje, você não vai querer ficar para trás. Essas afirmativas que tanto faziam sentido para mim antes, hoje me entediam, me pressionam, me fazem ter ainda mais vontade de parar. E porque não parar? Me parece que ter vinte anos é ter liberdade e ao mesmo tempo viver presa a essas “verdades absolutas” que o mundo me dita desde nova.

E eu só tenho vinte anos. Será que preciso mesmo pensar nisso 24 horas do meu dia? Será que não estive fazendo isso o tempo todo?

Falei nesse primeiro post do ano que tinha começado a me sentir ansiosa sobre as coisas, mas que estava conseguindo controlar isso. Naquela época talvez eu conseguisse. Hoje eu sinto que não tenho mais esse controle. Por várias vezes senti que não poderia aguentar, que iria explodir com tudo o que todos me diziam, com o que pensavam sobre mim, com o que me mandavam fazer e ser. Foi então que ligar o piloto automático me pareceu a escolha natural a ser feita. Pelo menos no que dizia respeito ao jornalismo, ao meu trabalho e ao meu futuro.

Não posso deixar de agradecer por todas as coisas maravilhosas que me aconteceram esse ano, porque elas aconteceram e eu sou imensamente grata por todos os momentos de tanta alegria que tive. Mas não posso ignorar essa outra parte do meu mundo que deu uma guinada brusca numa direção que eu não esperava, e essa parte sempre foi o meu tudo, a base para minhas maiores realizações e onde eu colocava todas as minhas expectativas.

E não ter mais essas expectativas específicas, não saber como as coisas vão ficar daqui para frente é o que tanto me fez estagnar nesse semestre. Sei que não é um sentimento fora do comum, acredito que muita gente já passou ou ainda vai passar por uma coisa parecida. Mas eu fui pega totalmente de surpresa, não estava preparada para me questionar e para, de forma tão abrupta e inconsciente, duvidar de que eu seria capaz de alcançar o que eu me propus a ser. Para mim, uma perfeccionista com tendências workaholics, isso é como um pesadelo.

Minha sorte é que tenho toda a outra parte da minha vida, repleta de raios de sol, que me faz dar um tempo nas pressões que eu mesma me imponho, espairecer meus pensamentos e pensar mais claramente sobre as coisas. Tento também recuperar os momentos que tenho a sós comigo, que me fazem tão bem, porque ultimamente eles têm sido bem poucos. Sinto que preciso me reconectar comigo, pensar sobre meus novos objetivos e sonhos e tentar tirar o melhor proveito dessa nova pessoa que estou descobrindo ser.

Talvez eu precise mais desse tempo do que eu imagino, talvez isso não resolva meus problemas, mas de qualquer jeito vou ter aquela sensação de que estou fazendo alguma coisa para me ajudar e não negando ou ignorando essa minha fase. E acho que isso é que é o mais importante.

Crystal Ribeiro

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2 comentários sobre “Sobre pressão, futuro e autoconhecimento

  1. Era exatamente o que eu precisava ler hoje… me encontro numa situação bem parecida; muitas dúvidas e pressão sobre carreira, emprego, sonhos… ai ai! Chega dá um desespero aqui dentro </3 Mas a vida é assim mesmo. O que a gente não pode fazer de jeito nenhum é abaixar a cabeça e aceitar aquilo que não nos satisfaz.
    Eu só espero que, lá na frente, eu possa olhar pra trás e pensar "como eu fui boba por me preocupar com coisas desse tipo!"…até lá, vamos seguir lutando e aproveitando a vida.
    Um beijão :*

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    1. Oi Nanda! Que bom que eu te ajudei de alguma forma. Acho que externalizar, falar sobre o problema, já ajuda demais a encontrar soluções para ele. Por muito tempo eu não queria pensar sobre o que eu poderia fazer para melhorar minhas ideias em relação a isso, neguei muito as coisas. Hoje eu já acho que preciso tentar entender o que está acontecendo, o porquê, para então resolver as coisas. Lá na frente a gente ainda vai achar graça, tenho certeza. Brigada pelo comentário! Bjão!

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