A verdade sincerona sobre caixas organizadoras

Num momento bem raro, eu sentei esse fim de semana para assistir um pouco de TV pela manhã. Amante de canais de variedade que sou, fui direto para o GNT e peguei o finalzinho do Santa Ajuda, um programa de organização em que a apresentadora transforma um cômodo da casa de alguém super acumulador e desordeiro em um refúgio de paz e milimétrica organização. Eu costumo gostar bastante desse tipo de programa, para o meu lado metódico e organizado é orgástico ver entulho sendo jogado fora e encontrar chão e paredes embaixo daquele monte de coisas.

Fazia um tempo que eu não assistia esse tipo de programa e alguma coisa me incomodou naquele resultado final que a apresentadora mostrou. Eu não sabia exatamente o que era até que ela mostrou uma espécie de ateliê que ficava na sala do casal personagem, onde uma cristaleira antiga se transformou em suporte para várias caixas organizadoras que guardavam os materiais que eles usavam para criar.

Foi aí que eu me liguei. Lembrei na hora de uma passagem do maravilhoso A mágica da arrumação, da guru-mestra da organização, Marie Kondo, em que ela dizia mais ou menos assim: caixas organizadoras são uma desculpa para mais acúmulo. Porém não se tratam apenas de caixas em si, mas de qualquer lugar que serve para juntar ou setorizar outras coisas e que são a alegria dos personal organizers. Podem ser potes, pastas, cestos, latas, baús ou outras coisas do gênero. Mas aqui vamos focar nas caixas.

Essa máxima da Marie pode parecer a coisa mais absurda que você ouviu hoje, mas vá por mim, não é. Eu aprendi bem na prática que essa é uma das maiores certezas na organização doméstica. Eu costumava ter sete ou oito caixas organizadoras numa estante do meu quarto. Elas eram setorizadas, cada uma tinha uma finalidade e elas tinham um objetivo claro que era totalmente pertinente: tirar da minha vista coisas importantes que eu não precisava no momento, mas que algum dia eu poderia precisar. Esse é o primeiro ponto para reflexão.

Até que um tempo atrás eu li o tal livro da Marie e fui forçada a abrir essas caixas e examinar minunciosamente o que eu guardava nelas. Foi quando eu percebi que boa parte do que estava lá eram coisas não resolvidas, que além daquilo que estava sistematizado eu ia juntando dentro delas um monte de coisas que eu não usava nem precisava: chaveiros sem uso, envelopes de carta, cartões de visita antigos, ingressos de cinema, entre outras miudezas inocentes.

Então eu compreendi finalmente o que a Marie falava no livro, que as caixas organizadoras são uma mera desculpa para uma organização sistemática, e que no fundo, no fundo, servem para deixar o que você quer e o que você nem deveria acumular fora das vistas, com um falso selo de “sou organizado” que passa facilmente pelas vistas da maioria das pessoas.

Com isso eu não digo que devemos declarar guerra às caixas organizadoras, a própria Marie fala em como elas podem ser úteis se você guarda apenas o necessário, mas sim que devemos reduzi-las e aprender (de verdade) a usá-las. Se você tem pequenos lugares em casa com essa finalidade (de guardar determinada categoria de objeto), sabe o que eu estou falando. Admita, alguma hora você joga lá alguma coisa que você ainda não decidiu que finalidade vai ter, mas ali dentro da caixa ela fica escondida e olha só, como ficam lindas várias caixinhas todas arrumadas juntinhas. É ou não é uma armadilha perfeita pro acúmulo? Esse é o segundo ponto da reflexão.

Então seguindo a dica da Marie, eu reduzi ao máximo o que eu tinha no meu quarto que eu poderia classificar como uma “caixa organizadora”. Tenho apenas duas, uma para guardar recordações como fotos, diários etc e outra com materiais de escritório. O legal de fazer isso é que você tem sempre à vista os objetos que possui, você simplesmente não tem onde guardar o entulho e se não for realmente importante você não vai ficar com ele. É tudo uma longa história sobre não-acumulo, minimalismo e viver com aquilo que você precisa e ama, mas a fora essas concepções mais profundas é muito gratificante a sensação de não guardar o desnecessário, de ter suas coisas organizadas e sempre a mão.

Eu sei que não é uma tarefa muito simples e, para muitos, animadora, mas é um trabalho que você tem apenas uma vez. Se você sempre se policiar a respeito do que você guarda e estiver vez ou outra dando uma checada rápida nessas caixas vai ver que organizar é bem mais fácil do que se imagina. E não vai cair de novo na armadilha da “inocente caixa organizadora”.

Crystal Ribeiro

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Para onde foi a inspiração?

Coloquei o relógio para despertar às 7h, mas antes das seis eu já embolava pela cama, ainda que tenha ido dormir tarde. Fiquei impressionada em como já estava claro mesmo sendo tão cedo. O sol invadia meu quarto pela janela da frente, daquele jeito perfeito que me faz me sentir abençoada, quando decidi tomar um banho de mar.

Eu nunca havia feito isso antes, sair de casa cedo, sozinha, para ir na praia ali em frente, tomar um banho e voltar para casa. Mas sempre tive essa vontade, é uma daquelas metas de “coisas a aprender a se fazer sozinha” que eu tenho.

A preguiça não foi desculpa. Sem hesitar eu vesti um biquíni, passei protetor solar e saí pela porta, estava tão empolgada e com tanta vontade de fazer aquilo que nem considerei a hora, o momento, a situação, nada. Eram seis da manhã de um domingo e não tinha ninguém na rua, exceto uma senhora passeando com seu cachorrinho. Considerei voltar, já ouvi tanta gente dizendo que foi assaltada a essa hora na rua que eu fiquei com medo e um pouquinho nervosa.

Mas quando atravessei duas ruas e cheguei à praia vi que sim, ignorar o desconforto e vencer limitações para viver um momento único vale muito a pena. A maré estava baixa, mas isso não foi problema. O sol quente não estava muito alto e eu entrei na água fria sem nenhum esforço.

Foram poderosos aqueles minutos em que estive no mar tranquilo. Senti que, naquele momento, eu estava me reconectando comigo mesma, fazendo algo simplesmente porque tinha acordado com vontade. Eu estava com vontade de viver, de me superar, de sentir o meu sol preferido do dia na pele e fazer isso sozinha, por mim mesma.

Talvez seja isso que esteja me faltando, momentos em que fecho os olhos e me vejo a sós comigo, em que medito sobre minhas atitudes e minha rotina. Me faz falta ver o sol da manhã e sentir ele me preencher, ficar em silencio e apenas sentir o quão é bom estar viva. Talvez eu tenha deixado isso de lado, por isso a inspiração anda tão distante. Arranjar tempo. É isso o que eu preciso. Tempo para aprender, para escrever, para saber do que gosto, do que eu sinto falta e para fazer o que eu amo. Tempo para mudar e ser quem eu sou, acima de tudo. Tempo para me redescobrir e me reconectar.

Tempo para ser grata. Quando estava no mar, a correnteza me puxando, o sol no rosto, sentindo a água fria, eu fui grata. Por aquele momento, por ter acordado antes das seis, por ter saído da zona de conforto e estar me esforçando todos os dias para ser uma pessoa melhor e por estar me descobrindo de novo. Talvez a gente só precise de um tempo e de querer preenche-lo com toda a intensidade de quem nós somos.

Crystal Ribeiro

Como eu me desestresso depois de um dia cheio

Desde 2014, quando entrei na faculdade e passei a vislumbrar mais de perto esse “mundo dos adultos”, minha rotina foi ficando cada vez mais agitada. Entre faculdade, estágio, curso de línguas, exercícios e vida social, tudo ficou corrido e sufocante e se eu não parasse para tentar ter algum momento para mim, com certeza eu teria enlouquecido por completo.

Apesar das minhas tendências workaholics e de gostar de ter uma rotina com vários afazeres, eu gosto de encontrar um momento nos meus intervalos ou mesmo quando chego em casa depois de um dia difícil, para me desligar de tudo e respirar um pouco. É preciso reconhecer o poder que uma pausa e um bom detox têm para ajudar a melhorar o humor, a mente e a percepção sobre as coisas.

Eu acredito que, quando nossa saúde mental está em jogo, tudo pode esperar. Gosto de respeitar o meu corpo, física e mentalmente. Claro que às vezes existem coisas que não podem ser deixadas para mais tarde, mas sempre que podem, eu faço alguma dessas sete coisas aí embaixo que me ajudam (e muito!) a melhorar o meu dia, me relaxar e me preparar para outros desafios.

  • FAZER UM SPA DAY

Fazer um spa day é sempre uma boa ideia. Pelo menos para mim, uma vez na semana, faça chuva ou sol, um dia de spa é sagrado na minha rotina. Vai muito do meu feeling de quando eu mais preciso me sentir renovada. Cuido desde o cabelo até os pés. Limpo, esfolio, depilo e hidrato cada pedacinho do meu corpo, escutando música ou vendo vídeos no YouTube. E é durante o processo que acontece a mágica: as energias negativas vão todas embora, eu me sinto mais leve, limpa (por dentro e por fora) e pronta para outra. Um pouco de cuidado com você nunca é demais.

  • ASSISTIR UM FILME QUE DEIXA UM QUENTINHO NO CORAÇÃO

Sabe aqueles filmes favoritos que você já assistiu zilhões de vezes mas não se cansa nunca? Eu tenho vários deles, alguns ainda mais especiais, que deixam essa sensação aí de cima: um quentinho no coração. E não tem regras para isso, tanto faz serem comédias, quanto dramas ou ação ou o que for. No meu caso, romances como Ela, Educação, Antes do Amanhecer e Orgulho e Preconceito são profissionais em me deixar aconchegada e muito, mas muito mais feliz. É praticamente uma terapia.

  • FALAR SOBRE

Falando em terapia, falar sobre o meu dia ou sobre algo que me incomodou me ajuda muito a abstrair e me sentir mais aliviada. Colocar os problemas para fora nos faz refletir sobre eles, racionalizar seus motivos e encontrar soluções mais facilmente do que se nós deixássemos eles lá, mofando dentro da gente. Qualquer pessoa de confiança pode te ajudar nesse momento, mas você sempre pode procurar um profissional se achar que precisa. No meu caso, minha mãe é quem escuta todas as minhas aflições diárias e quem me dá os melhores conselhos desde sempre, mas também faz um mês que frequento terapia e foi uma das melhores coisas que eu resolvi fazer. Eu realmente recomendo.

  • ASSISTIR ALEATORIEDADES NO YOUTUBE

Às vezes tudo o que eu quero é uma distração que não envolva muito esforço intelectual e nesses momentos o YouTube é o meu melhor amigo. Mesmo que o conteúdo não seja lá dos melhores, o negócio é se distrair e esquecer um pouco da vida. Gosto de assistir vídeos sobre moda, beleza, minimalismo, decoração, organização e por aí vai, eu só clico no app, escolho o que assistir e vou comer/arrumar a bolsa/tomar banho/etc. É fácil, prático e eficiente. Por que chegar em casa e ficar remoendo os estresses do dia ninguém merece.

  • ESCUTAR MÚSICA

Um dos meus truques preferidos é esse e acredito que muita gente concorde comigo. Me desliga totalmente do mundo e dá para fazer já dentro do ônibus enquanto vou para casa, começando o detox antecipado. Geralmente prefiro músicas mais “alegrinhas” para isso, porque levanta o meu astral na hora. Nada de coisa melancólica enquanto estou tentando desestressar.

  • LIMPAR E ORGANIZAR MEU QUARTO

Talvez aqui a maioria já não concorde tanto, mas limpar e organizar o meu quarto é como fazer um lifting cerebral. Meu humor melhora, me sinto mais relaxada e tranquila e muito mais motivada a seguir minha rotina e fazer coisas novas. Além de substituir um ambiente bagunçado, que não inspira ninguém, por um totalmente harmonioso e confortável, me desestresso e me distraio totalmente do mundo ao redor. E se for vendo vídeos no Youtube ou escutando música fica mais legal ainda.

  • COMER ALGUMA COISA GOSTOSA

Frequentemente, depois de um dia muito cheio no estágio ou na faculdade passo na padaria/supermercado/café e compro algo gostoso para comer. Isso é algo que foge muito da minha rotina, não sou a maior das gastadeiras com comida, mas o fato de sair do meu percurso e comer alguma coisa que envolva chocolate já deixa o meu dia mais feliz. É um momento bastante único e especial. Uma pontinha de alegria e doçura que deixa o sorriso mais fácil e o coração mais leve.

Crystal Ribeiro