Como eu me desestresso depois de um dia cheio

Desde 2014, quando entrei na faculdade e passei a vislumbrar mais de perto esse “mundo dos adultos”, minha rotina foi ficando cada vez mais agitada. Entre faculdade, estágio, curso de línguas, exercícios e vida social, tudo ficou corrido e sufocante e se eu não parasse para tentar ter algum momento para mim, com certeza eu teria enlouquecido por completo.

Apesar das minhas tendências workaholics e de gostar de ter uma rotina com vários afazeres, eu gosto de encontrar um momento nos meus intervalos ou mesmo quando chego em casa depois de um dia difícil, para me desligar de tudo e respirar um pouco. É preciso reconhecer o poder que uma pausa e um bom detox têm para ajudar a melhorar o humor, a mente e a percepção sobre as coisas.

Eu acredito que, quando nossa saúde mental está em jogo, tudo pode esperar. Gosto de respeitar o meu corpo, física e mentalmente. Claro que às vezes existem coisas que não podem ser deixadas para mais tarde, mas sempre que podem, eu faço alguma dessas sete coisas aí embaixo que me ajudam (e muito!) a melhorar o meu dia, me relaxar e me preparar para outros desafios.

  • FAZER UM SPA DAY

Fazer um spa day é sempre uma boa ideia. Pelo menos para mim, uma vez na semana, faça chuva ou sol, um dia de spa é sagrado na minha rotina. Vai muito do meu feeling de quando eu mais preciso me sentir renovada. Cuido desde o cabelo até os pés. Limpo, esfolio, depilo e hidrato cada pedacinho do meu corpo, escutando música ou vendo vídeos no YouTube. E é durante o processo que acontece a mágica: as energias negativas vão todas embora, eu me sinto mais leve, limpa (por dentro e por fora) e pronta para outra. Um pouco de cuidado com você nunca é demais.

  • ASSISTIR UM FILME QUE DEIXA UM QUENTINHO NO CORAÇÃO

Sabe aqueles filmes favoritos que você já assistiu zilhões de vezes mas não se cansa nunca? Eu tenho vários deles, alguns ainda mais especiais, que deixam essa sensação aí de cima: um quentinho no coração. E não tem regras para isso, tanto faz serem comédias, quanto dramas ou ação ou o que for. No meu caso, romances como Ela, Educação, Antes do Amanhecer e Orgulho e Preconceito são profissionais em me deixar aconchegada e muito, mas muito mais feliz. É praticamente uma terapia.

  • FALAR SOBRE

Falando em terapia, falar sobre o meu dia ou sobre algo que me incomodou me ajuda muito a abstrair e me sentir mais aliviada. Colocar os problemas para fora nos faz refletir sobre eles, racionalizar seus motivos e encontrar soluções mais facilmente do que se nós deixássemos eles lá, mofando dentro da gente. Qualquer pessoa de confiança pode te ajudar nesse momento, mas você sempre pode procurar um profissional se achar que precisa. No meu caso, minha mãe é quem escuta todas as minhas aflições diárias e quem me dá os melhores conselhos desde sempre, mas também faz um mês que frequento terapia e foi uma das melhores coisas que eu resolvi fazer. Eu realmente recomendo.

  • ASSISTIR ALEATORIEDADES NO YOUTUBE

Às vezes tudo o que eu quero é uma distração que não envolva muito esforço intelectual e nesses momentos o YouTube é o meu melhor amigo. Mesmo que o conteúdo não seja lá dos melhores, o negócio é se distrair e esquecer um pouco da vida. Gosto de assistir vídeos sobre moda, beleza, minimalismo, decoração, organização e por aí vai, eu só clico no app, escolho o que assistir e vou comer/arrumar a bolsa/tomar banho/etc. É fácil, prático e eficiente. Por que chegar em casa e ficar remoendo os estresses do dia ninguém merece.

  • ESCUTAR MÚSICA

Um dos meus truques preferidos é esse e acredito que muita gente concorde comigo. Me desliga totalmente do mundo e dá para fazer já dentro do ônibus enquanto vou para casa, começando o detox antecipado. Geralmente prefiro músicas mais “alegrinhas” para isso, porque levanta o meu astral na hora. Nada de coisa melancólica enquanto estou tentando desestressar.

  • LIMPAR E ORGANIZAR MEU QUARTO

Talvez aqui a maioria já não concorde tanto, mas limpar e organizar o meu quarto é como fazer um lifting cerebral. Meu humor melhora, me sinto mais relaxada e tranquila e muito mais motivada a seguir minha rotina e fazer coisas novas. Além de substituir um ambiente bagunçado, que não inspira ninguém, por um totalmente harmonioso e confortável, me desestresso e me distraio totalmente do mundo ao redor. E se for vendo vídeos no Youtube ou escutando música fica mais legal ainda.

  • COMER ALGUMA COISA GOSTOSA

Frequentemente, depois de um dia muito cheio no estágio ou na faculdade passo na padaria/supermercado/café e compro algo gostoso para comer. Isso é algo que foge muito da minha rotina, não sou a maior das gastadeiras com comida, mas o fato de sair do meu percurso e comer alguma coisa que envolva chocolate já deixa o meu dia mais feliz. É um momento bastante único e especial. Uma pontinha de alegria e doçura que deixa o sorriso mais fácil e o coração mais leve.

Crystal Ribeiro

Minha dificuldade em aceitar mudanças

As coisas mudam. Sejam elas metas, paradigmas, sonhos, objetivos. Nada é permanente, nem vai ser para sempre estático e imutável. A gente simplesmente muda de opinião ou de roupa, de batom ou de prioridade. E está tudo bem, não é preciso ter medo e entrar em pânico.

Entender isso, para mim, sempre foi muito complicado. Desde pequena eu ficava muito chateada se os planos mudavam, se as coisas que eu determinei para mim não davam certo e eu precisava de um plano b. Metódica como eu sou, imaginar ter que sair daquele meu esquema já bem fundamentado e detalhado era ao mesmo tempo frustrante, pois, aparentemente, indicava que eu tinha falhado com o primeiro; e motivo de desespero, porque eu nunca me acostumei realmente a encarar as alternativas como coisas boas e bem-vindas.

Sem dúvida, passei inúmeras vezes por esse tipo de situação esse ano, então é possível imaginar meu pânico a cada vez que acontecia. Eu tive que aprender aqueles conceitos do primeiro parágrafo bem na marra. Não que eu tenha aprendido totalmente, é tudo um processo longo e demorado, e muito, muito difícil. Nunca pensei que pudesse ser tão difícil ver as coisas seguirem rumos diferentes.

E o pior é que vai desde coisas simples como mudar as metas de leitura do ano até as mais complexas como repensar o rumo que eu quero dar para minha carreira. Claro que as mais simples são bem melhores de se assimilar, mas é a partir delas que vou conseguir maiores resultados com as maiores.

Simplesmente aceitar. É isso que é preciso ser feito. Que eu faça. Aceitar que as coisas mudam e que não é o fim do mundo. Meus planos não seriam os mesmos para sempre, eu deveria saber. É assustador ter que entender que, às vezes, tudo o que você precisa é repensar aquilo que você tinha programado e que isso não é motivo para perder a cabeça. Muitas vezes, como eu venho aprendendo, é divertido imaginar alternativas, é um mundo totalmente novo em aberto. Desafiador sim, mas não mais do que a vida em si já é.

Geralmente, se as coisas mudam, no final das contas, mudam para melhor. E é nisso que eu procuro me prender agora, tento esquecer as pressões e cobranças e inseguranças e vou. Simplesmente mudo.

Crystal Ribeiro

Sobre pressão, futuro e autoconhecimento

Tem tantas coisas que eu gostaria de falar nesse post. Quantas vezes fiquei em frente ao teclado pensando nas palavras certas para colocar aqui e não conseguia me decidir. Tem tanta coisa acontecendo, minha cabeça anda tão louca nos últimos meses que é difícil expressar em palavras o que se passa nela. Eu queria falar como, durante esse tempo, estou sentindo uma parte da minha vida perder o controle diante dos meus olhos. Queria dizer o quanto estou duvidando do meu investimento, por vezes integral, nessa parte, e o quanto sinto que esse investimento está se virando contra mim hoje. Queria dizer o quanto perder o controle me apavora, que o futuro nunca esteve tão indefinido e que isso me pressiona de um jeito maior do que eu gostaria.

Meu momento é confuso, estou tendo que encarar vários medos que me davam arrepios só de pensar que poderiam, algum dia, vir na minha direção. Eu queria ser capaz de enfrentar isso melhor do que estou fazendo, queria ser forte o suficiente para contornar essa sensação de querer que tudo volte a ficar sob o controle das minhas mãos. Porque a vida não é assim. Por mais que me doa e me apavore, o futuro, agora mais do que nunca, é uma caixinha de surpresas. Ter que tomar decisões fora do roteiro de uma hora para outra e realmente começar a viver sem a certeza do próximo passo a dar é aterrorizante.

Eu gostaria de não fazer nada, não ter que enfrentar toda essa incerteza que me acometeu de uma hora para outra. “O tempo passa, a vida corre”, eu ouvi durante toda a minha vida. Viva intensamente, não deixe para depois, corra agora atrás do que você quer, o sucesso começa com decisões tomadas hoje, você não vai querer ficar para trás. Essas afirmativas que tanto faziam sentido para mim antes, hoje me entediam, me pressionam, me fazem ter ainda mais vontade de parar. E porque não parar? Me parece que ter vinte anos é ter liberdade e ao mesmo tempo viver presa a essas “verdades absolutas” que o mundo me dita desde nova.

E eu só tenho vinte anos. Será que preciso mesmo pensar nisso 24 horas do meu dia? Será que não estive fazendo isso o tempo todo?

Falei nesse primeiro post do ano que tinha começado a me sentir ansiosa sobre as coisas, mas que estava conseguindo controlar isso. Naquela época talvez eu conseguisse. Hoje eu sinto que não tenho mais esse controle. Por várias vezes senti que não poderia aguentar, que iria explodir com tudo o que todos me diziam, com o que pensavam sobre mim, com o que me mandavam fazer e ser. Foi então que ligar o piloto automático me pareceu a escolha natural a ser feita. Pelo menos no que dizia respeito ao jornalismo, ao meu trabalho e ao meu futuro.

Não posso deixar de agradecer por todas as coisas maravilhosas que me aconteceram esse ano, porque elas aconteceram e eu sou imensamente grata por todos os momentos de tanta alegria que tive. Mas não posso ignorar essa outra parte do meu mundo que deu uma guinada brusca numa direção que eu não esperava, e essa parte sempre foi o meu tudo, a base para minhas maiores realizações e onde eu colocava todas as minhas expectativas.

E não ter mais essas expectativas específicas, não saber como as coisas vão ficar daqui para frente é o que tanto me fez estagnar nesse semestre. Sei que não é um sentimento fora do comum, acredito que muita gente já passou ou ainda vai passar por uma coisa parecida. Mas eu fui pega totalmente de surpresa, não estava preparada para me questionar e para, de forma tão abrupta e inconsciente, duvidar de que eu seria capaz de alcançar o que eu me propus a ser. Para mim, uma perfeccionista com tendências workaholics, isso é como um pesadelo.

Minha sorte é que tenho toda a outra parte da minha vida, repleta de raios de sol, que me faz dar um tempo nas pressões que eu mesma me imponho, espairecer meus pensamentos e pensar mais claramente sobre as coisas. Tento também recuperar os momentos que tenho a sós comigo, que me fazem tão bem, porque ultimamente eles têm sido bem poucos. Sinto que preciso me reconectar comigo, pensar sobre meus novos objetivos e sonhos e tentar tirar o melhor proveito dessa nova pessoa que estou descobrindo ser.

Talvez eu precise mais desse tempo do que eu imagino, talvez isso não resolva meus problemas, mas de qualquer jeito vou ter aquela sensação de que estou fazendo alguma coisa para me ajudar e não negando ou ignorando essa minha fase. E acho que isso é que é o mais importante.

Crystal Ribeiro